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Márcia Tude fala sobre desafios à frente da Secretaria da Cultura de Camaçari

Escrito por: Sheila Barretto - Camaçari - 07 de Julho de 2017

Márcia Tude. secretária de cultura de Camaçari (Foto: Sheila Barretto/CN)

A cultura é o elemento que caracteriza um povo, seus costumes, suas crenças, seu modo de ver o mundo. Não deixar que a cultura se perca ao longo do tempo é um desafio das novas gerações. É com a proposta de resgate cultural, que Márcia Tude assumiu a pasta na gestão do prefeito Antonio Elinaldo. A reportagem do Camaçari Notícias esteve na Secult e conversou com a secretária sobre Cidade do Saber, projetos futuros, cultura na orla e muito mais.

Cidade do Saber

No mês de maio deste ano, após meses fechada em um processo complicado de mudança de gestão, a Cidade do Saber abriu inscrições para as atividades culturais e esportivas. Na época, muito se questionou sobre o fato de abrir as inscrições antes de contratar os responsáveis por ministrar as aulas e se os antigos professores seriam recontratados. Márcia Tude explicou como se deu todo o processo.

“Na verdade, já estava tudo encaminhado, mas nós mantivemos todo o processo em sigilo porque a gente queria que acontecesse e que desse certo, então a gente foi bem coerente, até por conta de toda a situação que aconteceu, nós queríamos novos professores e nós conseguimos. A seleção foi criteriosa e o critério básico era ter uma história em Camaçari, dentro do segmento. Por exemplo, aulas de Canto e Coral, a gente tem aqui o professor Enoque [Norberto], que é o compositor do hino de Camaçari. Para aulas de Dança Contemporânea, a gente buscou um profissional de nível superior e que tivesse uma vertente muito importante na área de sociocultural, na área de educação. Então nós trabalhamos com Sinha Guimarães, que já desenvolve um trabalho muito bacana. Então [os professores] foram escolhidos a dedo por um histórico, por ser de Camaçari, são todos nomeados e são todos de Camaçari, sem exceção”.

A matrícula dos alunos também seguiu um critério, como conta a secretária. “O nosso critério de seleção foi por ordem de chegada, eu não poderia fazer audição pra um público de 3 mil pessoas porque eu ia passar três meses fazendo audição. Então nós autenticamos as senhas e fizemos esse critério, que foi muito planejado. Recebemos o prédio no dia 27 de março, no dia 1º de abril começamos a mudança e em dois meses entregamos o prédio de volta à população, simbolicamente, através das atividades culturais, esportivas e educacionais que acontecem aqui. Mas ainda temos alguns desafios que é a orquestra. Nossa meta é no segundo semestre reestruturá-la, porque também será diferente”.

Durante o processo das matrículas, a Secretaria da Cultura enfrentou um grande desafio. “O Instituto [Professor Raimundo Pinheiro] não deixou nenhuma memória desses alunos, então nós tivemos primeiro que desenvolver um novo sistema, que é o Atende CDS, que é um sistema inteligente, que nos dá gráficos em tempo real e que é um sistema permanente. O fato de não termos encontrado na instituição, no prédio da Cidade do Saber, nenhuma documentação referente aos alunos, é que nos levou a montar o projeto todo de novo”. Por causa disso, Márcia Tude disse que foi preciso fazer um nivelamento para definir em qual estágio de aprendizado cada aluno estava.

A secretária informou ainda que 30% das vagas foram reservadas para alunos em disfunção idade-série da rede municipal de educação. “Aqueles alunos que têm dificuldade de aprender, que estão com 18 anos e ainda no segundo ano do 1º grau. Pra esses alunos a gente reservou 30% das vagas. Eles participam das mesmas atividades que são oferecidas para os demais alunos, incluindo reforço de Português e Matemática. O foco é que eles consigam avançar e ter uma expectativa melhor de futuro”.

Casa da Criança

Chamada por alguns de ‘primo pobre da Cidade do Saber’, a Casa da Criança vem sendo negligenciada há vários anos. Quando foi eleito, o prefeito Elinaldo, em entrevista ao Camaçari Notícias, contou que pretendia fazer uma integração entre as duas instituições. A secretária de cultura confirmou essa intenção, mas disse que o projeto esbarrou na lei. “Nós tivemos uma reunião com a Sedes [Secretaria do Desenvolvimento Social e Cidadania] lá atrás pra integrar as ações, o objetivo era esse, meu objetivo era botar a biblioteca lá e trazer de lá pra cá a bateria, a percussão, porque aqui a gente tem estúdio, e levar pra lá literatura e dança, mas me parece que o programa Casa da Criança está ligado a LOAS [Lei Orgânica da Assistência Social], está ligado a umas leis que dificultam a integração. Foi essa a resposta que eu obtive, que são verbas carimbadas, e que não tem muito o que fazer. Então eu continuo tentando. Alguma coisa a gente vai fazer, temos só que encontrar um caminho, que não adianta só uma secretaria querer, todas têm que querer muito, porque pra gente passar por cima das políticas públicas e da forma que a lei nos amarra, a gente precisa desejar muito”.

Orquestra Pró-sinfônica

De acordo com a secretária, a Orquestra Pró-sinfônica irá passar por uma reestruturação para dar continuidade às atividades. “A gente está avaliando o modelo, com certeza o modelo será mais democrático, então a ideia é fazer uma audição pública para selecionar aqueles que têm o dom e que já tem condições de tocar na orquestra, então a gente está trabalhando no REDA [Regime Especial de Direito Administrativo] para contratação do maestro e dos professores do conservatório, que irão ensinar esses alunos e através disso a gente monta a nossa orquestra”, explicou.

“Nós já encaminhamos o REDA da Secult pra Projur [Procuradoria Geral do Município], estamos somente aguardando a publicação pra gente poder chamar, não só maestro e professores, mas também temos arquivista, produtores de orquestra”.

Cemitério indígena

Um grande trabalho também promete ser desenvolvido em Vila de Abrantes, onde foi descoberto um cemitério indígena, ainda pouco explorado. Márcia conta que a contratação dos profissionais também será pelo REDA. “Nós temos arqueólogo, antropólogo, sociólogo e queremos desenvolver também mais estudos, principalmente lá em Abrantes, porque ali tem um cemitério indígena, inclusive as urnas com alguns restos mortais de alguns índios encontram-se na igreja. Então o que a gente quer é estimular a escavação pra que a gente descubra realmente ali esse fato que foi descoberto há um tempo com a reforma da igreja. Então é muita coisa que a gente vem fazendo e construindo”.

Biblioteca Jorge Amado

A Biblioteca Municipal Jorge Amado funciona atualmente em um prédio alugado na Avenida 28 de Setembro (Radial A), mas em breve, segundo Márcia Tude, ela será transferida para a Cidade do Saber. “O atual prédio é alugado desde 1999, custa R$ 25 mil por mês, desde 1999 não se compra um livro. Vamos trazer pra cá, vamos ter o setor de braile, logo na frente do prédio, já trouxemos o infocentro, e a biblioteca vai ocupar a parte da frente. A gente quer uma biblioteca lúdica, diferente, mas que a literatura permeie todas as nossas ações pra melhorar bastante o índice de leitura, criar um envolvimento com o objeto livro. Vamos trazer a biblioteca pra cá e devolver o prédio, então até o dia 14 de julho a gente está devolvendo o prédio ao proprietário”.

“Vamos fazer o lançamento da nova Jorge Amado, um evento com sarau de confraternização porque eu acho que é uma conquista muito grande, principalmente pra quem trabalha nesse equipamento, os funcionários que são efetivos, que carregam esse equipamento nas costas há muitos anos, sem nenhum tipo de apoio, sem nada. Uma biblioteca que não se compra livro, que não se tem carinho, cuidado, ela morre. E como o município esteve assim, sem nenhum cuidado com suas bibliotecas, desde 1999, o resultado é esse, os índices de leitura são péssimos e Camaçari está em um dos últimos lugares em termos de aprendizagem”.

A Biblioteca Infanto-juvenil Monteiro Lobato está sendo utilizada para a realização de diversas atividades. “Está acontecendo lá o TeaDança, todas as sextas-feiras, que é um projeto que envolve música, dança e literatura, estamos oferecendo oficinas de empregabilidade pra jovens que acontece lá também, nós temos as oficinas de contação de história, dança do ventre infantil e canto e coral”, contou Márcia.

Museu de Ciência e Tecnologia

Pouca gente sabe, mas dentro da Cidade do Saber existe um museu de última geração, o Museu Única – Universo da Criança e do Adolescente. A secretária explicou o motivo desse patrimônio ser desconhecido do grande público e contou um pouco sobre o que tem dentro dele. “É um museu totalmente interativo, construído em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Instituto de Química. Nós temos o melhor museu da Região Metropolitana e as pessoas não conhecem porque o foco era financeiro, o museu era pago, escola particular pagava R$ 10 cada aluno. Nós também vamos cobrar para as escolas particulares, só que é diferente, esse museu tem que estar aberto à comunidade, a escola particular é uma exceção e não a regra”.

“A gente quer abrir também aos sábados, fazer uma experiência quando nosso convênio estiver firmado, eu acho que isso vai acontecer em menos de um mês e eu quero reabrir aos sábados, pra comunidade curtir o museu, porque pra curtir o museu você tem que ficar nele durante uma hora e depois nós temos o Memorial do Polo que é lindo, que conta a história do nascimento do Polo até o futuro ambiental e a situação da reciclagem. São coisas de primeiro mundo que a comunidade não conhece”.

Descentralização das atividades

Levar a cultura para todos os cantos do município é o objetivo da secretária Márcia Tude. “Nosso desafio maior é descentralizar as atividades culturais, porque não tem nada, Nova Vitória não tem nada, Barra do Pojuca não tem nada, os condomínios do Minha Casa, Minha Vida, não têm nada. Então estamos trabalhando no edital de cadastramento de oficineiros, já está sob análise da Procuradoria Jurídica, eu espero no mês de agosto cadastrar os oficineiros e no dia 15 de setembro, já divulgar a seleção, pra gente poder contratar e atuar nas comunidades”.

“A outra coisa que nós estamos fazendo é o REDA, com essa visão também de descentralização. Temos aqui um baú, que era puxado pelo cavalinho que o Instituto levou e vendeu. Então nós estamos agora tentando resolver como alugar um cavalinho, porque não temos recursos pra comprar, custa R$ 300 mil um cavalinho novo, então a gente tá tentando alugar um cavalinho pra poder circular também com o ponto móvel da cultura pela região e circular com Rui [Magno], com o esporte, porque o interessante é que todo o canto, todo espaço em que a gente vai e que visualiza a possibilidade das atividades culturais, tem uma quadra do lado. Eu estava conversando com Rui e dizendo a ele que a gente não pode andar separado, a gente tem que andar de mão dada, porque a gente faz uma revolução num bairro, a cultura e o esporte juntos. Vem muita coisa boa por aí, a gente tá se preparando muito bem pra isso”, garantiu a secretária.

Projetos futuros

Márcia falou um pouco sobre os projetos que serão desenvolvidos no futuro. “Temos a questão da orquestra e do conservatório de música que estão juntos, hoje a gente só está funcionando a escola de musica, então ainda precisamos cumprir esta etapa. Com o memorial do Polo nós já estamos com o termo de cooperação técnica com o Cofic pronto, agora com o museu, nós já estamos com profissionais lá dentro, mas estamos dando manutenção e provavelmente a Braskem vem pra apoiar essa iniciativa”.

“A gente está desenvolvendo um projeto chamado de Laboratório de Garagem, que é um projeto que visa ensinar robótica de maneira fácil, simples, bacana e que visa produzir peças em 3D através do plástico, transformar isso em materiais que são uteis para o próprio crescimento cultural, esportivo e educacional, ou seja, nós queremos imprimir nessas impressoras, baquetas, pandeiros... Pensamos em fazer até braços mecânicos, enfim, é um projeto muito bonito, que está na semente inicial, mas que vai alçar voo em breve, vai ser uma coisa muito bacana para o desenvolvimento tecnológico da comunidade”, assegurou.

A Secretaria de Cultura também está envolvida na revitalização do centro antigo e do Arquivo Público de Camaçari. “Quando saímos do prédio da Secult e viemos pra cá, nós trabalhamos com o Arquivo Público Municipal ali, então estamos reestruturando todo o arquivo, ele vai passar por uma pequena reforma e nós vamos entregar no dia 22 de agosto à população um novo Arquivo Público Municipal, com um pequeno auditório, que contém o núcleo do museu da cidade, que é um espaço de investigação, de capacitação, de descoberta e de seleção de novas exposições. O projeto de reforma do centro antigo a gente também tá batalhando muito por esse recurso”.

“Temos também o cinema popular, que estamos trabalhando pra trazer pra toda a orla, vem aí o edital Mestres da Cultura Popular, que é um edital de premiação, no mês de agosto, reconhecendo o trabalho desses mestres”.

Apesar dos vários desafios enfrentados desde que assumiu a pasta, Márcia Tude afirma que fomentar a cultura não é difícil. “Eu costumo dizer que a gente não precisa inventar muita coisa, tá tudo aí, o povo é quem diz o que quer em termos culturais, o povo faz sua própria cultura, o que a gente vai fazer é colocar os oficineiros em lugares estratégicos, associações e equipamentos culturais pra atender à comunidade, porque não é possível que não tenha nada numa comunidade”.

Para Márcia, a frase que define seu trabalho na secretaria é: cultura todo dia. Ela explica. “Só se faz cultura porque tem povo, e a essência do coração da população é sua cultura”.

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