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Vai de buzu? Pacto conservador e a crise do transporte público, por Edvaldo Jr.

Escrito por Edvaldo Jr. em 07 de Fevereiro de 2022
[Vai de buzu? Pacto conservador e a crise do transporte público, por Edvaldo Jr. ]

O debate sobre o transporte público deve ser levado sempre a sério já que seu resultado resulta na interferência direta na vida das pessoas. O aumento de tarifa sempre trouxe à tona entre outros problemas, um recorrente que afeta as cidades brasileiras, qual seja, os preços das tarifas de transporte público coletivo, bem como a precariedade na prestação desse serviço.

É nesse instante que a sociedade camaçariense passa a questionar quais são os reais problemas que acometem esse importante setor (transporte público coletivo), que é responsável por deslocar mais de 70 mil munícipes pelos mais diversos motivos.  

A mobilidade ofertada pelo transporte público carece de constante aperfeiçoamento profissional, pois é este serviço que garante o acesso aos centros de saúde, aos espaços culturais e ao lazer. No entanto, essas têm se tornado práticas cada vez mais indesejáveis, pelo crescimento desordenado das cidades causado pelo pacto federativo que não respeita as diretrizes do Estatuto das Cidades e dos Planos Diretores Municipais em favor da proteção imobiliária e do rentismo, o que impede a melhoria da prestação dos serviços de transporte público. 

O enfraquecimento dos órgãos de planejamento, ligado a formação de uma estrutura conservadora de poder com grande capacidade de pressionar os governos, composta por empresariado de ônibus, e da força histórica das classes e frações de classes ligadas aos negócios de terra rural e urbana, presentes em pactos de poder de diferentes escalas, contribui para uma dissolução da qualidade do transporte público coletivo.

O pacto dos agentes políticos e públicos com as associações e com o transporte clandestino, na cidade de Camaçari, é a representação simbólica da promiscuidade política e da falta de compromisso social com a melhoria da vida dos moradores dessa cidade.

O ano de 2013, marcou a maior mobilização social pela melhoria do transporte público municipal, centenas de cidadãos marcharam pelas principais avenidas da cidade, o mais incrível é que de lá pra cá, mesmo, e apesar de toda pressão popular a qualidade do transporte público só piorou. Revelando a total falta de compromisso dos agentes políticos com a sociedade.

Em uma sociedade desigual como a camaçariense é crucial que o governo possa garantir o acesso universal as oportunidades presentes na cidade, que contribuem para esgarçamento da reprodução da pobreza através do acesso ao emprego, a cultura, educação, saúde e aperfeiçoamento profissional, o que só pode ser possível a partir de um sistema de transporte coletivo eficiente e de qualidade.

A despeito, ainda do próprio acesso econômico ao transporte público, que no Brasil produz distâncias contínuas aumentando a dificuldade do cidadão das cidades, em localidades com mais de 60 mil habitantes, 38% dos deslocamentos ainda são efetuados a pé, segundo pesquisa do Ipea (Brasil, 2012). Não que isso signifique algum planejamento que aproxime as pessoas dos lugares como acontece no velho mundo.

Na verdade, as restrições impostas pelas tarifas e pela insuficiente cobertura das redes de transporte faz com que caminhar seja o único meio de alcançar a cidade.

A pressão exercida pelos grandes empresários do transporte, estabelece um pacto conservador com os governos que impede que o transporte coletivo caminhe para uma modernização capaz de produzir riqueza e diminuir as desigualdades sociais.

Para esse setor os “avantajados” direitos sociais são impeditivos para melhoria do transporte público coletivo. Para eles, é muito mais importante garantir seus e defender seus projetos pessoas e de poder, que construir um sistema de transporte que de as pessoas a possibilidade de desfrutar das oportunidade que a cidade oferece.

Edvaldo Jr. é professor Historiador pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós graduando em Direito Público Municipal pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL).

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