Artigo

Raymundo Mônaco escreve: mudando a feira, mudaremos a cidade

Escrito por Raymundo Mônaco em 20 de Maio de 2015
[Raymundo Mônaco escreve: mudando a feira, mudaremos a cidade]

CRÔNICAS DA CIDADE
2015.66 – Ano IV

J.R. MÔNACO
Bacharel em Direito. Consultor
Político. Testemunha Ocular da
História.

MUDANDO A FEIRA MUDAREMOS A CIDADE

A população sabia que mais cedo ou mais tarde a “Feira de Camaçari” se tornaria um sério problema para a nossa cidade saturada pelo excesso de serviços e pelo aglomerado de atividades ali concentradas, até porque a população não aguentava mais o descaso, a podridão e a imundície da antiga feira cercada de ratos, baratas e bactérias por todos os lados.

Inicialmente, a proposta agradou a vários segmentos da comunidade, enfim, ter uma nova feira, moderna, confortável, asseada, organizada era o anseio de todos; a dúvida transcorria sobre o local; ou se aproveitava o mesmo espaço da feira velha ou se transferiria a dita cuja para uma outra área compatível com as transformações e desenvolvimento do município.

Na fase de discussões do projeto e das especulações, os formadores de opinião faziam ver ao ex-prefeito Tude e seu vice Helder Almeida, precursores da obra, a preocupação sobre o equivoco que poderiam cometer mantendo a Feira de Camaçari no mesmo local, considerando-se os problemas que adviriam no futuro com o inevitável estrangulamento do transito de veículos e pedestres já insuportável àquela época no centro da cidade e transversais.

Apesar da preocupação natural do cidadão com os pepinos pra descascar, a dupla Tude e Helder não arredou pé tocou a obra pra frente cumprindo o compromisso assumido com os feirantes de manter a feira no mesmo local. Todavia, estava em jogo o interesse politico e a certeza do voto do feirante na eleição que se aproximava. Resultado: o feirante não votou em Helder e pra completar perdeu a eleição de 2004 para prefeito.

Camaçari possui uma população estimada pelo IBGE em torno de 275 mil habitantes, comércio promissor, faculdades, indústria automobilística, fabricas de pneus, crescente parque industrial, Polo Petroquímico, progresso oscilante, embora enfrente problemas cruciantes, um deles é a Feira Livre de Camaçari despreparada para o futuro e sem saber aonde chegará.

A novidade. O Prefeito Ademar Delgado diante dos contratempos que surgem todos os dias em sua administração, criou mais um “factoide” parecido com “tirar a linha do trem”, “Cidade da Música” e outros sonhos, utiliza a sabedoria para confundir a população usando a “Feira de Camaçari” como pretexto.

Promete transforma-la em um grande “Shopping Center” prédio com três andares, elevadores, tirando desta forma o braço da seringa privatizando a feira entregando a exploração a terceiros como se as coisas fossem tão fáceis assim. Diz o adagio popular “pra quem tá perdido todo mato é bom caminho”.

O prefeito, cá pra nós, quando pensa em privatizar a feira entregando-a inciativa privada, pode ter as suas razões. Os feirantes não pagam aluguel, bem como luz, agua, vigilância, pessoal de apoio, limpeza e manutenção, despesas pagas pela Prefeitura que absorve há muitos anos o custo do empreendimento. Em que pese essas vantagens não se conhece feirante rico.

Razões obvias levam a crer que a “Feira de Camaçari” chegou ao ponto de saturamento e como já dissemos, inúmeros fatores têm contribuído para a sua decadência: instalações precárias, estacionamento deficiente, sanitários sujos, expositores de mercadorias ultrapassados, a difícil circulação interna dos consumidores, barreiras encontradas no convívio diário da feira.

O projeto de reformulação pode surgir como alternativa ou como forma de relocar a feira e liberar o centro da cidade tão convulsionado. Recentemente inauguraram em Camaçari um grande supermercado de vendas no atacado e dentro em breve teremos um “Shopping Center” ambos afastados do centro da cidade.

O sonhado projeto da reforma e privatização da feira não nos deixa à vontade acerca do que desejam e o que realmente quer a administração municipal. As especulações são diversas: como ficará a situação dos comerciantes da feira ninguém sabe se doravante pagarão aluguel, condomínio, conta de energia, agua e outras despesas deverá ser motivo de avaliações.

O certo é que o poder público de há muito perdeu o controle sobre a “Feira de Camaçari”, esforçados administradores designados pela PMC foram exonerados por não aguentar a pressão. O fato é que a feira está sempre efervescente, porem, sem a infraestrutura necessária para atender a demanda,

A conclusão a que se chega: a feira precisa passar por um processo de reestruturação, transferida para um outro local permitindo que na área atual surja um moderno empreendimento com lojas e serviços.

A “Feira de Camaçari” é hoje o termômetro da cidade onde as pessoas gostam de comprar, buscam novidades, produtos diversos. Na feira de Camaçari tem de tudo, é também a feira dos pobres, da classe média, feira da peãosada, do povo humilde.

A intenção da PMC provocou um rebuliço na opinião publica entrando em cena a turma do contra e turma do muito pelo contrario manifestando votos favoráveis e desfavoráveis sobre a pretensa privatização.

Alegam que transformar a feira em um centro comercial sofisticado fugiria aos princípios e objetivos da feira e isso é verdade. Outros acolhem a ideia, alguns lideres feirantes acham que a mudança poderia ser o ideal e condicionam as vantagens indenizatórias e as garantias da permanência sem prejuízos das prerrogativas existentes.

Vamos em frente!

J,R. Mônaco
[email protected]

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