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Líder do Cartel Jalisco Nova Geração foi morto em ação com apoio da inteligência dos EUA; confrontos deixaram dezenas de mortos, prisões em vários estados e levaram países a emitir alertas de segurança.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Reprodução/CNN
O narcotraficante mais procurado do México, Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, morreu no domingo (22) durante uma operação militar realizada no estado de Jalisco, no oeste do país. Ele era o principal líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das organizações criminosas mais violentas e poderosas do mundo.
A morte de “El Mencho” provocou uma onda imediata de violência em diversas regiões do México. Supostos integrantes de grupos criminosos incendiaram ônibus, bloquearam rodovias e entraram em confronto com forças de segurança. Imagens divulgadas pela CNN mostraram incêndios e colunas de fumaça em Puerto Vallarta, importante destino turístico da costa oeste mexicana, além de farmácias e lojas de conveniência destruídas.
Segundo o ministro da Defesa do México, Ricardo Trevilla, as informações que levaram à localização do narcotraficante partiram de uma parceira amorosa. A operação contou com apoio da inteligência dos Estados Unidos. Um oficial de defesa americano confirmou à CNN que uma força-tarefa interinstitucional dos EUA “desempenhou um papel” na ação.
De acordo com o secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México, Omar García Harfuch, ao menos 25 membros da Guarda Nacional morreram nos confrontos em Jalisco. Além disso, uma civil perdeu a vida e cerca de 30 criminosos também morreram. Pelo menos 70 pessoas foram presas em sete estados do país.
A violência iniciada em Jalisco se espalhou rapidamente para outras regiões. Apesar do cenário tenso, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (23) que “a paz, a segurança e a normalidade estão sendo mantidas”.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump pediu que o México intensifique o combate ao crime organizado. “O México precisa intensificar seus esforços contra os cartéis e as drogas!”, escreveu em uma publicação nas redes sociais.
O CJNG foi designado pelos EUA como organização terrorista em fevereiro de 2025. “El Mencho” já havia sido indiciado diversas vezes pela Justiça americana, inclusive em 2022, por conspiração para fabricar e distribuir metanfetamina, cocaína e fentanil para importação aos Estados Unidos.
Após a escalada da violência, diversos países emitiram alertas a seus cidadãos no México. O Departamento de Estado dos EUA recomendou que americanos em áreas afetadas busquem abrigo e permaneçam em casas ou hotéis. O Canadá alertou para bloqueios de estradas, tiroteios e interrupções de viagens.
O Reino Unido orientou seus cidadãos a evitarem deslocamentos não essenciais, enquanto a Austrália pediu que turistas permanecessem atentos às orientações locais, especialmente em Puerto Vallarta. A China informou que monitora de perto a situação e pediu cautela a seus cidadãos. Já a Índia e a Nova Zelândia recomendaram que seus nacionais evitem áreas com operações policiais e acompanhem as notícias.
Devido à instabilidade, companhias aéreas como American Airlines e Air Canada suspenderam voos para Puerto Vallarta, deixando turistas temporariamente retidos. Vídeos mostraram passageiros em pânico em aeroportos, incluindo o de Guadalajara, onde viajantes se abrigaram no terminal.
A Agência Federal de Aviação Civil do México informou que os aeroportos de Guadalajara, Puerto Vallarta e Tepic retomaram as operações normais na tarde de domingo (22).
Nascido em julho de 1966, no estado de Michoacán, Nemesio Oseguera Cervantes foi ex-policial antes de se tornar um dos chefões do narcotráfico mais temidos do mundo. Fundador do CJNG, ele era considerado o líder de cartel mais poderoso do México desde a prisão de Joaquín “El Chapo” Guzmán.
Em 1994, foi condenado na Califórnia por conspiração para distribuir heroína e cumpriu três anos de prisão. Após retornar ao México, voltou ao crime organizado e construiu um império baseado principalmente no tráfico de metanfetamina e fentanil.
Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. Discreto, “El Mencho” tinha pouquíssimas imagens conhecidas.
Segundo autoridades americanas, o CJNG controla rotas internacionais e portos estratégicos, mantém ligação com fornecedores de precursores químicos na China e atua em mais de 40 países. A DEA afirma que o cartel funciona como uma espécie de franquia criminosa, com cerca de 90 organizações associadas.
Especialistas avaliam que a morte de “El Mencho” não deve significar o fim do cartel. “Essa fragmentação exige uma estratégia mais complexa para desmantelar o grupo”, afirmou à CNN Eduardo Guerrero, da consultoria Lantia Intelligence.
A operação militar ocorreu em Tapalpa, no estado de Jalisco, com apoio da Força Aérea Mexicana e da Força Especial de Reação Imediata da Guarda Nacional. Segundo a Secretaria de Defesa, os militares foram atacados e reagiram para proteger suas vidas.
Quatro integrantes do CJNG morreram no confronto inicial. Outros, incluindo “El Mencho”, ficaram gravemente feridos e morreram durante o transporte aéreo para a Cidade do México. Dois suspeitos foram presos, e foram apreendidos veículos blindados, armas pesadas e lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves.
As autoridades confirmaram que a operação utilizou informações da inteligência militar mexicana e dados fornecidos por órgãos dos Estados Unidos. Ainda não está totalmente claro qual foi o papel específico das forças americanas na ação.
A morte do líder do CJNG representa um dos golpes mais significativos contra o narcotráfico no México nos últimos anos, mas reacende o temor de que a disputa por poder entre facções provoque novos episódios de violência no país.
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