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Ideia de criar startup citada em relatório sobre suposta base chinesa surgiu em Camaçari
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Documento divulgado pelo Poder360 aponta menção à “Estação Terrestre de Tucano”
Por: Camaçari Notícias
Foto: Aila Raquel/Alya Space
Fundada pela arquiteta e urbanista baiana Aila Raquel Ribeiro, a Alya Space ganhou repercussão nacional após reportagem do Poder360 informar que um relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos mencionava a existência de uma suposta base militar secreta chinesa no Brasil associada à empresa. Segundo o documento, a instalação seria denominada “Estação Terrestre de Tucano”.
O relatório foi produzido pelo Comitê Seleto sobre a China, grupo voltado ao monitoramento das atividades chinesas. O texto classifica a estrutura como “não oficial” e sugere que poderia permitir à República Popular da China rastrear objetos espaciais e monitorar ativos militares estrangeiros na América do Sul. O documento, no entanto, não detalha a localização exata da instalação, apesar da referência ao município baiano de Tucano.
Diante da repercussão, a reportagem do Bahia Notícias buscou informações sobre a trajetória da empresa, sediada em Salvador, na Avenida Tancredo Neves, um dos principais centros financeiros da capital.
A Alya Space, também identificada como Alya Nanosatellites Constellation, foi criada em 2019 por Aila Raquel Ribeiro. Em entrevistas concedidas a veículos como a RFI e o site The Shift, a fundadora relatou que a ideia surgiu a partir da dificuldade de acesso a imagens de satélite durante projeto desenvolvido em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo Aila, a empresa tem como missão desenvolver uma constelação de nanosatélites voltados à observação e monitoramento da superfície terrestre. A proposta combina sensoriamento remoto óptico com tecnologia de radar, utilizando câmeras hiperespectrais para aplicações em áreas como agricultura, petróleo e gás, meio ambiente e monitoramento de desastres naturais.
O plano prevê o lançamento de 216 satélites, divididos em duas fases (Alya 1 e Alya 2), com 108 unidades cada. A meta declarada é reduzir o custo das imagens para ampliar o acesso a dados estratégicos.
A startup firmou parceria com a Hong Kong Aerospace Technology Group para integração e fabricação de satélites. Em entrevista ao site Brazilian Space, Aila informou que foi firmado contrato estimado em US$ 675 milhões para fabricação das unidades e construção de centros de controle.
A empresária também relatou diálogo com a Agência Espacial Francesa e empresas na Índia e na Rússia, além de mencionar expectativa de utilizar a Base de Alcântara, no Maranhão, em futuros lançamentos, destacando a localização estratégica do centro espacial brasileiro.
Em 2022, Aila participou de iniciativas internacionais de inovação tecnológica e apresentou trabalho científico no Congresso Internacional Astronáutico, realizado em Paris.
Sobre a atuação global, a fundadora declarou que a empresa mantém relações comerciais com Europa, Ásia — “China, precisamente” — e Estados Unidos, com o objetivo de consolidar presença em diferentes mercados.
De acordo com o relatório citado pelo Poder360, a estrutura mencionada no Brasil poderia oferecer à China um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira, além de estabelecer presença estratégica na região. O documento não apresenta detalhes técnicos ou localização precisa da suposta instalação.
Até o momento, não há confirmação oficial das autoridades brasileiras sobre a existência de base militar estrangeira vinculada à empresa.
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