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Paquistão enfrenta pressão para negociações entre EUA e Irã, diz analista

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Paquistão enfrenta pressão para negociações entre EUA e Irã, diz analista

País deve intermediar um acordo de paz para a guerra no Oriente Médio neste sábado (11), em Islamabad.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Wirestock/Freeik

O Paquistão está sob enorme pressão para realizar o que alguns diplomatas consideram uma missão impossível: intermediar um acordo de paz entre o Irã e os EUA para estabilizar a economia mundial, ao mesmo tempo em que protege os países que já estão em conflito devido a uma trégua frágil.

O chefe do Exército paquistanês, Marechal de Campo Asim Munir, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, dedicaram semanas a negociações diplomáticas para tentar impedir uma guerra que poderia agravar a instabilidade na fronteira oeste com o Irã e o Afeganistão, países com os quais houve recentes confrontos armados.

As autoridades efetivamente isolaram partes da capital Islamabad nesta quinta-feira (9), com a chegada de autoridades iranianas, e da delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, nesta sexta-feira (10).

Após levarem Washington e Teerã à mesa de negociações no sábado (11), as autoridades paquistanesas tentarão conduzir as conversas rumo a um acordo duradouro, dizem os analistas.

“Se houver caos por causa da guerra, se o regime enfraquecer no Irã e houver caos no país, especialmente no sudeste, nas províncias de Sistão e Baluchistão, então teremos uma situação muito ruim para o Paquistão. Por quê? Porque o Paquistão já enfrenta uma fronteira ocidental instável”, disse Kamran Bokhari, pesquisador sênior do Conselho de Política do Oriente Médio.

O papel do Paquistão representa uma reviravolta impressionante, visto que o país estava às margens da diplomacia até apenas um ano atrás. O sucesso no diálogo de sábado contribuiria significativamente para manter sua recém-adquirida proeminência, enquanto o fracasso poderia corroer a aparência de sucesso.

“(O Irã sabe) que os paquistaneses são aliados dos americanos, dos sauditas, dos turcos e dos chineses. Portanto, acho que eles não têm outra escolha a não ser trabalhar com o Paquistão, e é por isso que estamos vendo o comportamento deles em relação ao Paquistão, onde também estão trabalhando muito de perto. O Paquistão não poderia ter sucesso se não tivesse ambos os lados trabalhando em estreita colaboração com ele”, disse Bokhari.

As autoridades de Islamabad reforçaram a segurança nas ruas ao redor do Hotel Serena, onde, segundo duas fontes, as negociações devem ocorrer.

O hotel de luxo foi esvaziado e colocado sob controle do governo, enquanto as vias de acesso à área foram bloqueadas. Postos de controle, barricadas e patrulhas foram intensificados em toda a cidade, e forças de segurança adicionais foram mobilizadas.

A dimensão das precauções demonstra o quão vulnerável o Paquistão se sente, não apenas à violência militante interna, mas também ao risco de que qualquer perturbação possa comprometer uma delicada abertura diplomática.

Autoridades de segurança afirmaram que as medidas foram além dos preparativos de rotina para uma visita de alto nível, com vigilância do espaço aéreo reforçada e serviços de emergência em alerta.

Embora os ataques nos principais centros urbanos do Paquistão tenham se tornado cada vez mais raros, a militância aumentou ao longo das regiões fronteiriças com o Afeganistão desde que o Talibã retornou ao poder do país em 2021.

Um ataque suicida em Islamabad, em fevereiro, intensificou as preocupações e foi um dos motivos que levaram o Paquistão a lançar ataques aéreos contra o Afeganistão dias depois, resultando em semanas de combates com seu antigo aliado.

“Basta olhar para as estatísticas, e um relatório importante recente apontou que o Paquistão tem o maior número de ocorrências terroristas no mundo. Portanto, não acho que alguém esteja dizendo que não existem ameaças”, disse ele.

Horas antes do anúncio do cessar-fogo de duas semanas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na Terça-feira (7), os esforços de mediação para pôr fim ao conflito pareciam ter fracassado.

Mas um esforço da liderança militar e civil do Paquistão trouxe o Irã de volta à mesa de negociações.

Bokhari afirmou que o papel do Paquistão evoluiu de um mero transmissor de mensagens para um participante ativo no processo de negociação.

“O terceiro ator, neste caso o Paquistão, não está mais apenas transmitindo mensagens, mas também tentando convencer os outros lados, ou pelo menos um deles”, disse ele.

No sábado, Islamabad provavelmente levantará as queixas das nações do Golfo aliadas aos EUA que foram atingidas por ataques iranianos durante o conflito, disseram analistas.

O Irã também tentará pressionar os EUA a estender o cessar-fogo ao Líbano, cujo primeiro-ministro buscou o apoio de Sharif para pôr fim imediato aos ataques israelenses.

O Irã afirmou que estava prestes a responder aos ataques contra o Líbano na quarta-feira, quando o Paquistão interveio.

Embora o país agora tenha acesso e credibilidade suficientes para mediar e talvez manter o processo em andamento, pode não ter poder suficiente para garantir o resultado que o mundo aguarda: a reabertura da rota marítima vital, o Estreito de Ormuz. A informação é do CNN Brasil

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