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Brasil e EUA avançam em cooperação para combate ao crime organizado

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Brasil e EUA avançam em cooperação para combate ao crime organizado

Acordo prevê integração de inteligência, análise remota de cargas e criação de sistema para rastreamento internacional de armas

Por: Camaçari Notícias

Foto: Washington Costa/MF

O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Fazenda, formalizou nesta sexta-feira (10) um acordo de cooperação com os Estados Unidos para intensificar o combate ao crime transnacional. A iniciativa envolve a Receita Federal do Brasil e a U.S. Customs and Border Protection (CBP), e integra uma agenda bilateral voltada ao enfrentamento de organizações criminosas.

Batizado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), o acordo tem como objetivo integrar esforços de inteligência e promover operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas, especialmente de armas e entorpecentes. A ação decorre do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a cooperação marca um avanço na adoção de medidas concretas para ampliar a segurança dos dois países, com foco na integração de dados e compartilhamento de informações em tempo real. A construção da agenda teve início em janeiro de 2026, após visita técnica a Foz do Iguaçu, com atenção especial à região da Tríplice Fronteira.

Inteligência e análise remota de cargas
Um dos pilares do acordo é o mecanismo de “Remote Targeting”, que permite a análise remota de cargas e o envio contínuo de relatórios de inteligência dos Estados Unidos ao Brasil. As informações são compartilhadas em tempo real entre a Receita Federal e a Polícia Federal, possibilitando a identificação antecipada de cargas suspeitas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou que a medida amplia a eficiência das ações conjuntas e fortalece a atuação integrada entre os órgãos.

Programa DESARMA fortalece rastreamento internacional
A cooperação também inclui o lançamento do Programa DESARMA, sistema informatizado que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas, munições e materiais sensíveis.

A ferramenta permite o compartilhamento de dados estratégicos, como origem das mercadorias, informações logísticas e identificadores, além de possibilitar o envio de alertas a autoridades estrangeiras. O sistema será utilizado em operações em portos, aeroportos e remessas internacionais, fortalecendo o controle da cadeia logística.

A iniciativa é respaldada pela Portaria RFB nº 663/26, que autoriza o intercâmbio de informações e a execução de ações coordenadas com autoridades norte-americanas.

Resultados e impacto no combate ao crime
De acordo com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o Brasil passará a receber dados estratégicos para aprimorar a gestão de risco e identificar envolvidos em atividades ilícitas, ao mesmo tempo em que compartilhará informações com os Estados Unidos.

Nos últimos 12 meses, foram registradas 35 ocorrências de apreensão de armamentos, totalizando cerca de 550 quilos de peças e componentes ilegais, muitos deles enviados a partir da Flórida com métodos de ocultação.

O modelo também tem impacto no combate ao tráfico de drogas. No Aeroporto de Guarulhos, as apreensões saltaram de 89 kg em 2024 para 1.562 kg nos três primeiros meses de 2026, indicando maior eficiência das ações baseadas em inteligência.

A ampliação do intercâmbio internacional de dados e o uso de tecnologia são apontados como fundamentais para antecipar riscos, desarticular redes criminosas e reforçar a segurança nas fronteiras.

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