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Justiça condena responsáveis pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete

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Justiça condena responsáveis pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete

Justiça da Bahia aplica penas de 29 e 40 anos de prisão para acusados; executor do crime permanece foragido

Por: Camaçari Notícias

Foto: Reprodução/TV Globo

Após dois dias de julgamento no Fórum Criminal Ruy Barbosa, em Salvador, o júri popular condenou, na noite desta terça-feira (14), dois homens envolvidos no assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete. O crime, que chocou o país em agosto de 2023, teve seu primeiro desfecho judicial com penas que somam quase 70 anos de reclusão para o mandante e um dos executores.

Penas e qualificações do crime

O conselho de sentença acolheu as teses do Ministério Público e condenou os réus por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de uso restrito. As penas foram aplicadas da seguinte forma:

Marílio dos Santos (Executor): Condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Apesar de estar foragido, foi julgado por ter advogado constituído.

Arielson da Conceição dos Santos (Mandante): Condenado a 29 anos e 9 meses de prisão, incluindo a acusação de roubo.

Ambos deverão cumprir as penas em regime inicialmente fechado. A motivação do crime, segundo as investigações, estaria ligada a represálias do tráfico de drogas na região do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.

Reação e clamor por justiça integral

A Anistia Internacional, que monitora o caso desde o início, classificou a decisão como um passo importante, mas alertou que a justiça só será plena quando todos os seis suspeitos forem responsabilizados. "Justiça, neste caso, só existirá de forma efetiva quando houver responsabilização completa, reparação integral e mudança concreta nas práticas institucionais".

Mãe Bernadete foi executada com 25 disparos dentro de sua residência, na presença de três netos. O crime ocorreu anos após o assassinato de seu filho, Binho do Quilombo, evidenciando a vulnerabilidade de defensores de direitos humanos na região metropolitana de Salvador.

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