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Emprego de mulheres negras cresce 29% em dois anos

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Emprego de mulheres negras cresce 29% em dois anos

5º Relatório de Transparência Salarial revela avanço de 1 milhão de vagas para mulheres pretas e pardas, mas desigualdade salarial de 21,3% persiste

Por: Camaçari Notícias

Foto: Freepik

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou um avanço significativo em 2025, impulsionado pela ampliação da participação feminina e, de forma inédita, pela contratação recorde de mulheres negras em grandes corporações. De acordo com o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27), o número de mulheres pretas e pardas empregadas em empresas com mais de 100 funcionários saltou de 3,2 milhões para 4,2 milhões entre 2023 e 2025, representando 1 milhão de novas vagas formais.

A expansão do emprego feminino e o recorte racial

Os dados apresentados pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres evidenciam que o crescimento do emprego feminino foi de 11% no total, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras. No entanto, o destaque absoluto reside no recorte racial: o incremento de 29% nas contratações de mulheres negras mostra que o aquecimento econômico está sendo acompanhado por uma maior inclusão produtiva deste grupo, que historicamente ocupa a base da pirâmide salarial.

Esse resultado reflete tanto a expansão do emprego formal no país quanto a eficácia progressiva de políticas públicas voltadas à igualdade de oportunidades. O levantamento abrange cerca de 53,5 mil estabelecimentos, revelando que o mercado de trabalho está mais receptivo à diversidade, embora os desafios estruturais permaneçam latentes.

Desigualdade salarial: a lacuna que ainda resiste

Apesar do aumento no número de vagas, o relatório acende um alerta sobre a remuneração. Em 2025, a diferença salarial entre homens e mulheres no setor privado aumentou. Enquanto em 2023 as mulheres ganhavam 20,7% a menos, o índice subiu para 21,3% em 2025. A desigualdade é perceptível desde a entrada no mercado: o salário médio de admissão das mulheres está 14,3% abaixo do registrado para os homens — um aumento frente aos 13,7% verificados dois anos antes.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a defesa da igualdade vai além do valor nominal. "Estamos falando da função que essa mulher ocupa, das condições de trabalho e do cumprimento de direitos garantidos que muitas vezes são negligenciados por uma cultura ainda machista e misógina", afirmou. Atualmente, o salário médio geral no país é de R$ 4.594,89, mas a mediana contratual cai para R$ 2.295,36, evidenciando a concentração de rendas mais baixas.

O impacto de R$ 95,5 bilhões na economia nacional

O estudo traz uma dimensão econômica impactante para a desigualdade. Para que a massa de rendimentos das mulheres fosse proporcional à sua participação no emprego formal (41,4%), seria necessário um incremento de R$ 95,5 bilhões por ano na remuneração feminina.

Essa equiparação não seria apenas uma questão de justiça social, mas um motor econômico: o ajuste elevaria a massa total de rendimentos do Brasil em mais de 10%, impulsionando o consumo interno e a distribuição de renda. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reforçou que a valorização deve ocorrer degrau por degrau na ascensão das carreiras, garantindo que as mulheres não fiquem estagnadas em cargos operacionais.

Liderança feminina e políticas afirmativas nas empresas

Um dado positivo é o aumento de 12% no número de empresas que possuem mulheres em cargos de gerência e direção em quantidade suficiente para cálculos de paridade, totalizando 13,7 mil estabelecimentos. Além disso, as empresas de maior porte (acima de 2 mil funcionários) apresentaram o maior crescimento de emprego (11,2%).

O relatório também mapeou iniciativas de inclusão social:

Vítimas de violência: 7% das empresas mantêm políticas de contratação para este grupo, com destaque para Minas Gerais e Espírito Santo.

Diversidade LGBTQIAP+: Minas Gerais e Espírito Santo também lideram em políticas de incentivo para este público.

Inclusão Racial e PcD: O Pará é o destaque nacional na contratação de mulheres negras (24,8%), enquanto Rondônia lidera na contratação de mulheres com deficiência (27,1%).

Panorama regional: Minas Gerais e Pará em destaque

A distribuição das políticas de incentivo varia conforme a unidade da Federação. Minas Gerais consolidou-se como o estado com maior percentual de estabelecimentos (34,7%) que adotam políticas diversificadas de contratação de mulheres. O Espírito Santo acompanha de perto, especialmente em ações afirmativas para mulheres vítimas de violência doméstica (11,6%).

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, ressaltou que o relatório é um instrumento fundamental para mostrar o quanto o país ainda precisa caminhar, especialmente para garantir que mulheres negras, que ainda recebem os piores salários médios, sejam remuneradas de acordo com o trabalho que exercem.

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