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Brasil registra recorde de 225 mil acidentes com escorpiões e alerta para risco infantil
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Sudeste e Nordeste concentram 83% das ocorrências; falta de infraestrutura urbana agrava riscos para populações vulneráveis
Por: Camaçari Notícias
Foto: Freepik
O Brasil contabilizou 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025, conforme dados consolidados pelo Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde. O aracnídeo foi o principal responsável por acidentes com animais peçonhentos no país, representando 65% das notificações totais. A urgência do tema é reforçada pelo registro de 265 óbitos, com um impacto desproporcional sobre crianças menores de 10 anos, que compõem mais de 20% das fatalidades.
A distribuição geográfica dos acidentes revela uma forte concentração no Sudeste e no Nordeste, regiões que, somadas, respondem por mais de 83% das notificações nacionais. Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking com 50.178 casos, seguido de perto por Minas Gerais, com 42.635 registros. Todavia, a maior incidência proporcional ocorre em Alagoas, onde o coeficiente ultrapassa 440 acidentes por 100 mil habitantes, impulsionado pela presença do Tityus stigmurus (escorpião-do-nordeste).
O levantamento também evidencia como a precariedade urbana influencia os índices de envenenamento. Mais de 66% dos acidentes ocorrem em zonas urbanas, onde a ausência de infraestrutura básica favorece a proliferação dos animais. Esse fator atinge diretamente a população parda, que representa 55% das vítimas e 62% das mortes, refletindo a realidade de que grande parte desse grupo reside em comunidades e favelas com saneamento deficitário.
A maioria dos casos graves no território nacional é atribuída ao escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). Esta espécie destaca-se pela alta capacidade de adaptação a ambientes alterados pelo homem (antropizados), encontrando abrigo ideal em entulhos e redes de esgoto.
Um diferencial biológico crucial para a rápida disseminação desta espécie é a partenogênese. Através deste fenômeno, as fêmeas conseguem se reproduzir sozinhas, sem a necessidade de acasalamento. Esse processo garante que uma única fêmea transportada para um novo ambiente possa iniciar uma infestação rapidamente, dificultando o controle populacional por órgãos de vigilância sanitária.
Embora a gravidade maior recaia sobre as crianças, o volume de notificações concentra-se em adultos. No último ano, pessoas entre 20 e 29 anos somaram quase 34 mil registros. Em termos de gênero, houve um equilíbrio estatístico, com 51% das vítimas sendo do sexo feminino e 49% do sexo masculino.
As circunstâncias dos ataques mostram que o perigo está dentro de casa:
Mãos e dedos: 41,26% dos atingidos (geralmente ao manusear objetos ou realizar limpeza).
Membros inferiores: 36,9% (pés e pernas atingidos ao caminhar ou calçar sapatos).
Atividades de risco: Manuseio de quintais, depósitos e execução de tarefas domésticas sem proteção adequada.
Especialistas reforçam que, embora 89% das ocorrências sejam classificadas como leves, a busca imediata por atendimento médico e soro antiescorpiônico é vital, especialmente para grupos vulneráveis, para evitar a evolução do quadro clínico para óbito.
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