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INSS registra recorde de afastamentos; problemas de coluna e transtornos mentais lideram concessões
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Ansiedade, depressão, burnout e doenças da coluna estão entre as principais causas de auxílio por incapacidade temporária.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Ilustração/IA
As doenças da coluna e os transtornos mentais são, atualmente, as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Dados da Previdência Social mostram que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou um recorde de concessões de auxílio por incapacidade temporária, com destaque para problemas osteomusculares e o crescimento expressivo de casos relacionados à saúde mental.
Somente no último ano, mais de 534 mil benefícios foram concedidos por transtornos mentais, impulsionados principalmente por diagnósticos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. O avanço desses casos acende um alerta sobre as condições de trabalho e a crescente pressão enfrentada pelos trabalhadores.
Entre as doenças que mais resultaram em afastamentos, a dorsalgia (dor nas costas) lidera o ranking, com 237.113 benefícios concedidos, seguida pelos transtornos dos discos intervertebrais, responsáveis por 208.727 concessões.
Esses problemas costumam estar relacionados a longos períodos na mesma posição, levantamento frequente de peso, mobiliário inadequado e falhas ergonômicas, especialmente em setores como comércio, construção civil, transporte e atividades de escritório. Como exigem tratamento contínuo, fisioterapia e, em alguns casos, reabilitação, as licenças tendem a ser prolongadas.
Outro fator que preocupa é o crescimento das doenças ligadas à saúde mental. A pressão por metas, o excesso de trabalho, a sobrecarga de tarefas e ambientes corporativos considerados tóxicos têm contribuído para o aumento dos afastamentos. Com isso, cuidar da saúde emocional dos trabalhadores passou a ser uma necessidade estratégica para empresas, tanto para reduzir o absenteísmo quanto para evitar custos com afastamentos e ações trabalhistas.
As lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) também figuram entre as principais causas de incapacidade laboral. Segundo a Previdência Social, problemas que atingem ombros, braços, punhos e mãos geraram 135.093 benefícios. A repetição constante de movimentos, aliada à ausência de pausas e à falta de ergonomia, pode provocar lesões permanentes quando não há diagnóstico e tratamento precoces.
Além disso, fraturas por quedas e acideprovocadasntes com máquinas em ambientes industriais continuam representando uma parcela significativa dos afastamentos registrados pelo INSS.
De acordo com os dados da Previdência Social, as cinco doenças ocupacionais que mais afastam trabalhadores no país são problemas na coluna, transtornos mentais e comportamentais, LER/DORT em membros superiores, dores musculares generalizadas e fraturas decorrentes de acidentes de trabalho.
Especialistas apontam que grande parte desses afastamentos pode ser evitada com medidas preventivas, como adequação ergonômica dos postos de trabalho, pausas regulares durante a jornada, programas de ginástica laboral e ações permanentes voltadas à saúde mental.
Na Bahia, o cenário acompanha a tendência nacional. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) desenvolve ações por meio dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), que atuam na vigilância, prevenção e assistência a trabalhadores com doenças relacionadas às atividades profissionais, além de orientar empresas sobre práticas voltadas à promoção da saúde e da segurança no ambiente de trabalho.
O aumento dos casos de ansiedade, depressão e burnout também ganhou ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforçou a necessidade de as empresas identificarem e gerenciarem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, ampliando o foco das políticas de saúde ocupacional.
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