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Conselheiro militar do líder supremo afirma que Teerã não aceitará a continuidade do bloqueio naval e promete reagir caso embarcações americanas utilizem rota considerada ilegal pelo país.
Por: Camaçari Notícias
Foto: REUTERS/Stringer
A escalada da crise entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (4). O conselheiro militar do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, afirmou que Teerã não permitirá a continuidade do bloqueio naval imposto pelos norte-americanos e ameaçou atacar navios de guerra dos EUA caso eles utilizem uma rota considerada ilegal pelo governo iraniano no Estreito de Ormuz.
Em entrevista à televisão estatal do Irã, Rezaei declarou que as forças armadas do país "não ficarão de braços cruzados" diante das ações dos Estados Unidos. Segundo ele, o Irã também não aceitará a abertura de qualquer corredor marítimo em Ormuz que não esteja sob controle iraniano.
"Se os Estados Unidos levarem navios de guerra para a rota ilegal na via, nós os visaremos", afirmou o conselheiro.
O bloqueio naval americano foi restabelecido no mês passado, depois do colapso do cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã por meio de um memorando de entendimento. Na segunda-feira (3), o Comando Central dos Estados Unidos informou que, durante a operação, redirecionou 44 navios comerciais, imobilizou duas embarcações e realizou abordagens em outras duas.
Rezaei acusou Washington de descumprir o acordo firmado em junho ao retomar ataques contra o Irã sem recorrer ao comitê responsável pela resolução de disputas previsto no memorando.
Os Estados Unidos voltaram a atacar alvos iranianos no início de julho, em resposta aos ataques promovidos por Teerã contra embarcações que navegavam pelo Estreito de Ormuz em uma rota considerada não autorizada.
O militar iraniano defendeu que os EUA retomem o cumprimento das obrigações previstas no acordo. Entre as exigências, ele citou a devolução de recursos iranianos, a declaração formal de que Washington não está em guerra com o Irã e o fim das ações que, segundo ele, comprometem a segurança da navegação na região.
"Permitam-nos apoiar o comércio global por meio de nossos próprios arranjos, de forma ainda melhor do que antes", declarou.
Rezaei acrescentou que qualquer demonstração concreta de cumprimento do memorando poderá ser interpretada por Teerã como uma mudança de postura por parte dos Estados Unidos.
Negociações seguem sob impasse
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o país não mantém negociações com Washington e que os diálogos em andamento estão restritos a Omã, com foco na administração do Estreito de Ormuz.
Segundo Baghaei, os Estados Unidos "violaram todos os seus compromissos" quando o cessar-fogo entrou em colapso em junho.
Enquanto isso, a guerra no Oriente Médio continua provocando impactos sobre o transporte marítimo internacional. Dados de rastreamento mostram que seis navios-tanque operados pela Arábia Saudita alteraram suas rotas e passaram a contornar a África para evitar o bloqueio imposto pelos rebeldes Houthis no Mar Vermelho. A mudança acrescenta pelo menos duas semanas ao tempo de viagem das embarcações.
Trump cita acordo sobre Ormuz
Na segunda-feira (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que cancelou ataques planejados depois de receber pedidos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar e do próprio Irã.
Segundo Trump, existe um entendimento em construção sobre o Estreito de Ormuz que poderá abrir caminho para um novo acordo envolvendo também o programa nuclear iraniano.
As declarações do presidente americano repercutiram imediatamente no mercado internacional. Os preços do petróleo registraram forte queda diante da expectativa de redução das tensões entre os dois países.
Apesar das movimentações diplomáticas, o conflito no Oriente Médio permanece instável. Paralelamente às negociações conduzidas pelos Estados Unidos e pelo Conselho de Paz para tentar interromper os ataques na Faixa de Gaza, autoridades israelenses afirmaram que o país continuará realizando operações militares sempre que considerar haver ameaças contra seus civis e soldados.
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