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Juiz que bebeu vinho e fumou durante audiência tem afastamento imediato confirmado pelo TJMG

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Juiz que bebeu vinho e fumou durante audiência tem afastamento imediato confirmado pelo TJMG

Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, por unanimidade, medida cautelar contra Milton Lívio Lemos Salles, que também fez acusações de corrupção contra integrantes da Corte e o ministro Alexandre de Moraes.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Juarez Rodrigues/TJMG

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou, por unanimidade, o afastamento imediato do juiz Milton Lívio Lemos Salles, que passou a ser alvo de uma apuração interna depois de aparecer nas redes sociais consumindo vinho e fumando durante uma audiência virtual.

A decisão dos desembargadores foi tomada menos de 24 horas depois de o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior, determinar o afastamento cautelar do magistrado, na tarde de terça-feira (11). As informações são do Estadão Conteúdo.

O episódio ganhou repercussão depois que Salles foi flagrado durante um julgamento online do TJMG consumindo bebida alcoólica e fumando. A sessão chegou a ser interrompida assim que o consumo da bebida foi percebido.

Na sequência, o juiz publicou um vídeo no qual afirmou ser vítima de difamação. Na gravação, também acusou colegas do tribunal e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de corrupção. As declarações integram o contexto da apuração instaurada contra o magistrado.

Medidas determinadas contra o magistrado

Com a confirmação do afastamento, o TJMG determinou uma série de restrições ao juiz enquanto a medida cautelar estiver em vigor.

Entre elas está a suspensão imediata das credenciais e permissões de acesso funcional aos sistemas judiciais e administrativos do TJMG e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A restrição alcança ferramentas de tramitação processual, consulta funcional e outros sistemas relacionados ao exercício do cargo.

Salles também fica impedido de entrar, para fins funcionais, em fóruns, prédios administrativos e demais instalações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O uso de veículos oficiais da Corte também foi suspenso.

A decisão prevê ainda comunicação ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pelas providências relacionadas à segurança e ao controle de acesso. O porte e o registro de arma de fogo do magistrado também foram suspensos, com comunicação à Polícia Federal e ao Exército Brasileiro.

As áreas responsáveis pela tecnologia da informação e pela gestão de acessos do TJMG deverão cumprir a suspensão das credenciais funcionais, preservando os meios necessários para que o juiz acompanhe os procedimentos nos quais figure como interessado e exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Corregedor nacional também determinou afastamento

O caso chegou ao Conselho Nacional de Justiça. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, também determinou o afastamento cautelar de Milton Lívio Lemos Salles.

Na decisão, Campbell afirmou que o magistrado estaria “privado do domínio de si e das faculdades exigidas para o desempenho do encargo”. Segundo o corregedor, não é admissível que decisões capazes de afetar direitos e a liberdade de cidadãos sejam tomadas por um juiz que, durante uma sessão pública de julgamento, apresente comportamento incompatível com o exercício da função.

O ministro apontou que o afastamento cautelar busca preservar a regularidade da investigação, eventuais provas relacionadas ao caso e a própria dignidade da prestação jurisdicional durante a apuração.

A decisão de Mauro Campbell deverá ser analisada pelo plenário do CNJ na próxima sessão do órgão, marcada para 18 de agosto.

Defesa ainda não se manifestou

O Estadão informou que busca contato com a defesa do juiz Milton Lívio Lemos Salles. O espaço permanece aberto para manifestação.

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