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Mudança interna permite que Testemunhas de Jeová utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos

Saúde

Mudança interna permite que Testemunhas de Jeová utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos

Nova orientação mantém proibição ao sangue de doadores, mas amplia decisão individual dos fiéis sobre o uso do próprio sangue em cirurgias e tratamentos médicos.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Getty Images/iStock

As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em sua política religiosa relacionada ao uso de sangue em procedimentos médicos, passando a permitir que fiéis utilizem o próprio sangue previamente retirado, armazenado e posteriormente reinfundido durante tratamentos ou cirurgias programadas. A mudança introduz uma nova orientação em uma das normas mais conhecidas do grupo religioso.

Apesar da flexibilização, a organização mantém a proibição da transfusão de sangue proveniente de outras pessoas. A nova orientação foi apresentada por Gerrit Lösch, um dos líderes mundiais do movimento, que afirmou que “cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”.

As Testemunhas de Jeová são um movimento religioso de base cristã conhecido pela prática de evangelização de porta em porta. Segundo a própria organização, o grupo reúne cerca de nove milhões de seguidores em todo o mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.

Historicamente, os integrantes não aceitam transfusões sanguíneas por interpretação bíblica que, segundo o site oficial do grupo, orienta os fiéis a “se abster de sangue”, com base em passagens do Antigo e do Novo Testamento. Após o anúncio da nova política, um porta-voz reforçou que a crença central sobre a santidade do sangue permanece inalterada.

A mudança, no entanto, gerou críticas de ex-membros. O americano Mitch Melon afirmou que a atualização ainda impõe limitações em situações médicas graves. Segundo ele, em casos de emergências com grande perda de sangue ou tratamentos complexos, como alguns tipos de câncer em crianças, a nova regra não garante liberdade total para aceitar transfusões de sangue doado, consideradas potencialmente vitais.

O debate sobre o tema também tem repercussões jurídicas em diferentes países. Em dezembro do ano passado, um tribunal de Edimburgo, na Escócia, autorizou médicos a realizarem uma transfusão de sangue em uma adolescente de 14 anos caso o procedimento fosse necessário após uma cirurgia. A jovem havia recusado previamente a intervenção por motivos religiosos.

Na decisão, a juíza Lady Tait considerou que a medida deveria priorizar o benefício da paciente, levando em conta suas opiniões, mas entendendo que a transfusão poderia ser essencial para preservar sua vida.

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