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Anvisa endurece regras para suplementos de cúrcuma e exige alerta sobre risco ao fígado

Saúde

Anvisa endurece regras para suplementos de cúrcuma e exige alerta sobre risco ao fígado

Norma fixa limites de consumo, obriga advertências para grupos vulneráveis e dá prazo de seis meses para adequação do setor.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta quarta-feira (22) uma nova regulamentação que altera o controle sobre suplementos alimentares à base de cúrcuma no Brasil. A medida estabelece limites de dosagem e torna obrigatória a inclusão de alertas nos rótulos, após registros raros de efeitos adversos no fígado associados ao consumo desses produtos.

Pela nova regra, os suplementos deverão seguir parâmetros definidos para adultos, com ingestão mínima de 80 mg de curcuminoides por dia e limites máximos para compostos específicos, como curcumina e tetraidrocurcuminoides. A partir de agora, os fabricantes também serão obrigados a informar de forma clara que o uso não é recomendado para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas.

As empresas terão até seis meses para ajustar fórmulas e embalagens às novas exigências. Durante o período de transição, a comercialização seguirá permitida, desde que as advertências estejam acessíveis ao consumidor, inclusive por meios digitais.

A decisão da agência ocorre em meio a alertas internacionais sobre possíveis casos de toxicidade hepática relacionados ao uso de suplementos concentrados de cúrcuma. Autoridades sanitárias de países como França, Canadá, Itália e Austrália já haviam sinalizado preocupação após registros de reações adversas, incluindo episódios de hepatite.

Segundo especialistas, o risco está principalmente ligado ao consumo em altas doses ou sem orientação adequada. Embora a cúrcuma seja amplamente utilizada como tempero e conhecida por propriedades antioxidantes, sua versão em cápsulas ou extros concentrados pode aumentar a carga de substâncias processadas pelo fígado, favorecendo inflamações em casos específicos.

Outro ponto de atenção é a variação na composição dos produtos disponíveis no mercado, o que pode dificultar o controle preciso da quantidade ingerida. A percepção de que suplementos naturais são sempre seguros também contribui para o uso indiscriminado, muitas vezes acima do recomendado.

A Anvisa reforça que a nova regulamentação não afeta o uso culinário da cúrcuma. Nas quantidades normalmente empregadas na alimentação, o ingrediente segue considerado seguro. O foco da norma é justamente o consumo em forma de suplemento, onde a concentração dos compostos ativos é significativamente maior.

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