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INSS amplia dispensa de perícia presencial para atestados médicos de até 90 dias

Saúde

INSS amplia dispensa de perícia presencial para atestados médicos de até 90 dias

Governo Federal amplia prazo do sistema Atestmed para agilizar concessão de benefícios por incapacidade temporária.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Rawpixel.com/Freepik

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) oficializou que atestados médicos de até 90 dias passam a ser aceitos para concessão de benefício por incapacidade temporária sem perícia presencial. A medida, válida em todo o território nacional a partir deste 23 de abril de 2026, visa reduzir filas e desburocratizar o acesso do segurado ao auxílio, utilizando o sistema Atestmed para análise documental remota.

A nova diretriz foi implementada em esforço conjunto com o Ministério da Previdência Social, expandindo o limite anterior que restringia a análise remota a documentos de no máximo 60 dias. Com a atualização, o trabalhador ganha maior flexibilidade para buscar o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, sem enfrentar o deslocamento físico até as agências da Previdência Social.

A modernização tecnológica permite que o processo seja iniciado e concluído de forma 100% digital. O segurado deve utilizar o aplicativo ou portal Meu INSS para anexar o atestado e os exames médicos complementares. Após o envio, o corpo de peritos do instituto realiza a avaliação técnica dos documentos e o resultado é disponibilizado diretamente na plataforma, eliminando a necessidade de agendamento prévio de consultas presenciais.

É importante ressaltar que a perícia presencial não foi extinta, mas sim realocada como um recurso secundário. Caso a análise documental aponte irregularidades, inconsistências técnicas ou informações incompletas que impeçam a confirmação da incapacidade laboral, o segurado será notificado e encaminhado para uma avaliação física obrigatória em uma unidade do INSS para validar o pedido.

Paralelamente à facilitação do acesso aos benefícios, o Conselho Federal de Medicina (CFM) consolidou o uso da plataforma Atesta CFM para mitigar a emissão de documentos falsos. O sistema funciona como um ecossistema de validação nacional, onde todos os atestados emitidos são integrados a um banco de dados seguro, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A ferramenta permite que os médicos sejam notificados instantaneamente sobre qualquer documento emitido sob seu registro profissional (CRM), evitando o uso indevido de seus nomes por terceiros. Além disso, o trabalhador passa a ter um histórico digital de sua saúde ocupacional, enquanto as empresas ganham um mecanismo oficial para verificar a autenticidade dos documentos entregues pelos colaboradores, garantindo transparência na relação trabalhista.

A integração entre o Atestmed do INSS e as bases de dados do CFM cria uma camada adicional de segurança jurídica. A emissão, validação e verificação ocorrem em tempo real, dificultando a replicação de carimbos e assinaturas falsificadas que, historicamente, sobrecarregam o sistema previdenciário e prejudicam a sustentabilidade dos cofres públicos com pagamentos indevidos.

A rigorosa fiscalização sobre a veracidade dos atestados encontra respaldo no Judiciário, como demonstra a recente decisão da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA). O tribunal manteve a demissão por justa causa de uma funcionária em Salvador que apresentou seis atestados falsos. O caso evidencia que a facilidade tecnológica de envio — como fotos por aplicativos de mensagem — não isenta o trabalhador da responsabilidade legal sobre a origem do documento.

No episódio citado, a irregularidade foi detectada por um erro de grafia no nome do médico, o que levou a empresa a investigar a procedência junto à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A confirmação da fraude resultou em boletim de ocorrência e notificação ao Conselho Regional de Medicina, reforçando que o uso de documentos falsificados, além de acarretar a perda do emprego, pode gerar sanções criminais e cíveis aos envolvidos.

Com as novas regras de 2026, o governo espera equilibrar a agilidade no atendimento ao cidadão com mecanismos de controle rigorosos. A expectativa é que o tempo médio de espera para a concessão de benefícios caia drasticamente, focando a estrutura física do INSS apenas em casos complexos que realmente demandem a presença do perito médico para avaliação física detalhada.

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