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Biossensor criado pela USP detecta câncer de pâncreas em 10 minutos e pode ampliar diagnóstico precoce
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Tecnologia de baixo custo identifica biomarcador da doença no sangue e pode facilitar o acesso ao diagnóstico rápido e preciso.
Por: Camaçari Notícias
Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um biossensor de baixo custo capaz de identificar o câncer de pâncreas em aproximadamente 10 minutos. A tecnologia surge como uma alternativa mais acessível para o diagnóstico precoce da doença, que costuma ser silenciosa em seus estágios iniciais e apresenta alta letalidade quando descoberta tardiamente. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
O dispositivo atua na detecção da molécula biomarcadora CA19 9 no sangue, uma glicoproteína associada ao câncer de pâncreas. Atualmente, esse tipo de análise é realizado por meio de exames laboratoriais mais complexos, como o método Elisa, que exige estrutura especializada, maior tempo de processamento e custos mais elevados.
Segundo a professora Débora Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos, o objetivo da pesquisa é ampliar o acesso ao rastreamento da doença. Como o câncer de pâncreas geralmente não apresenta sintomas no início, muitos pacientes recebem o diagnóstico em estágios avançados, quando as chances de sobrevivência são bastante reduzidas.
Os resultados do estudo foram publicados na revista científica ACS Omega. Nos testes realizados com 24 amostras de sangue de pacientes em diferentes estágios da doença e de um grupo controle, o biossensor apresentou resultados semelhantes aos dos exames tradicionais.
A tecnologia funciona por meio de um sistema comparado ao modelo de chave e fechadura. A superfície do sensor possui anticorpos específicos que reconhecem e capturam a proteína CA19 9 presente no sangue. Essa interação provoca alterações elétricas que são convertidas em sinais mensuráveis pelo dispositivo. Quanto maior a concentração da proteína, maior é a variação detectada.
Em poucos minutos, o sistema compara os dados com uma curva de calibração e estima a quantidade da substância no organismo, permitindo identificar até mesmo concentrações muito baixas do biomarcador, o que favorece o diagnóstico precoce.
Além desse avanço, a equipe também trabalha no desenvolvimento de novos sensores com diferentes mecanismos de detecção. A proposta é integrar análises feitas a partir de sangue, saliva e urina para aumentar a precisão dos resultados.
Os pesquisadores ainda investem no uso de inteligência artificial para criar uma ferramenta chamada língua bioeletrônica, capaz de analisar grandes volumes de dados, identificar padrões e tornar os diagnósticos ainda mais confiáveis.
A expectativa é que a tecnologia contribua para tornar o diagnóstico do câncer de pâncreas mais rápido, acessível e eficiente, aumentando significativamente as chances de sucesso no tratamento.
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