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Afastamentos por burnout disparam no Brasil e expõem crise de saúde mental no trabalho

Saúde

Afastamentos por burnout disparam no Brasil e expõem crise de saúde mental no trabalho

Benefícios por esgotamento profissional crescem mais de 800% em quatro anos; governo promete endurecer regras para empresas

Por: Camaçari Notícias

Foto: Freepik

O Brasil enfrenta um agravamento da crise de saúde mental no ambiente de trabalho, com impacto direto na rotina de milhares de profissionais. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os afastamentos por burnout cresceram 823% entre 2021 e 2025.

No último ano, foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional, contra 823 registrados em 2021 — um aumento de quase nove vezes no período.

O avanço também é observado nas denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Os registros relacionados à saúde mental no trabalho passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, alta de aproximadamente 438%.

Diante do cenário, o governo federal anunciou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. A nova versão incluirá os chamados riscos psicossociais e prevê punições a empresas que adotem práticas prejudiciais à saúde mental dos trabalhadores.

Inicialmente prevista para entrar em vigor em maio de 2025, a atualização foi adiada após pressão de entidades empresariais e agora tem implementação prevista para maio de 2026.

Especialistas apontam que o crescimento dos casos de burnout está ligado a uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se vínculos empregatícios precários, jornadas extensas, baixos salários, metas consideradas inalcançáveis e pressão constante por resultados.

A pandemia de Covid-19 também deixou impactos duradouros. Apesar da redução recente no desemprego e na informalidade, persistem mudanças no modelo de trabalho, como a intensificação do ritmo produtivo e o uso ampliado de tecnologias digitais.

Outro ponto destacado é que o aumento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias significativas nas condições de trabalho. Além disso, o déficit de auditores fiscais limita a capacidade de fiscalização das relações trabalhistas no país.

Para especialistas, os números refletem não apenas um crescimento real dos casos, mas também maior conscientização sobre o problema e mudanças na forma de registrar o sofrimento psíquico relacionado ao trabalho.

Atualização da NR-1 gera debate

Em 2024, o governo anunciou a revisão da NR-1 para incluir os riscos psicossociais na fiscalização do ambiente de trabalho. A medida, adiada para maio de 2026, ainda enfrenta resistência de setores empresariais.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que não há intenção de novo adiamento. Segundo ele, a prorrogação já concedida foi suficiente.

Por outro lado, auditores fiscais e o MPT defendem a manutenção do prazo atual, argumentando que as exigências não são inéditas e que novos adiamentos podem comprometer a proteção à saúde dos trabalhadores.

Enquanto o impasse persiste, especialistas reforçam a urgência de medidas concretas para melhorar as condições de trabalho e prevenir o adoecimento mental no país.

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