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Saúde
Relatório divulgado durante a Conferência Internacional da Aids destaca redução global das infecções e das mortes, mas alerta que o ritmo ainda é insuficiente para atingir a meta de erradicação da doença até 2030
Por: Camaçari Notícias
Foto: Freepik
O número de novos casos de HIV no mundo caiu 42,9% desde 2010, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), durante a Conferência Internacional da Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.
De acordo com o levantamento, foram registrados 1,2 milhão de novos casos de HIV em 2025, contra 2,1 milhões em 2010. Apesar da redução, a Unaids alerta que o ritmo de queda ainda é insuficiente para cumprir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030. Para isso, o número de novas infecções deveria estar em torno de 200 mil casos por ano.
Na contramão da tendência mundial, o Brasil figura entre os 21 países que registraram aumento superior a 20% nas novas infecções por HIV desde 2010. Dados do Ministério da Saúde indicam que o país notificou 39,2 mil novos casos em 2024, um crescimento de 21,9% em comparação com uma década antes. Atualmente, estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros vivam com o vírus.
A diretora executiva da Unaids, Winnie Byanyima, destacou que os avanços científicos já permitem vislumbrar o fim da Aids como ameaça à saúde pública, mas ressaltou que o objetivo depende de decisões políticas, ampliação do acesso aos serviços de saúde e enfrentamento das desigualdades, do estigma e da discriminação.
O relatório também aponta uma redução de 57% nas mortes relacionadas à Aids desde 2010. Em 2025, foram registrados 570 mil óbitos em todo o mundo, o menor número dos últimos 30 anos. Mesmo assim, o resultado permanece acima da meta estabelecida pela ONU.
Entre os principais desafios identificados pela Unaids estão a redução de 18% no financiamento internacional destinado aos programas de combate ao HIV em 2025, reflexo, principalmente, dos cortes na ajuda externa dos Estados Unidos, além das dificuldades para ampliar o acesso a novas estratégias de prevenção, como medicamentos de longa duração.
Apesar do aumento nas novas infecções, o Brasil foi citado no relatório por avanços importantes, como a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV e a ampliação da oferta da profilaxia pré-exposição (PrEP) por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
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