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Anvisa investiga casos de doença que pode causar perda permanente da visão em usuários de canetas emagrecedoras
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Casos envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Pexels
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma doença rara que atinge o nervo óptico e pode provocar perda permanente da visão. Os casos envolvem pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, usados no tratamento do diabetes e da obesidade.
As notificações citam Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. Segundo a Anvisa, a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não significa que exista uma relação comprovada de causa e efeito. Os casos seguem em investigação.
A Noia ocorre quando há redução do fluxo de sangue para a parte anterior do nervo óptico. Com a falta de oxigênio e nutrientes, células nervosas podem morrer, provocando uma piora repentina da visão, geralmente em um dos olhos. A perda visual pode não ser recuperada.
Quais medicamentos aparecem nas notificações
Entre os 13 registros analisados pela Anvisa, os medicamentos citados são:
Ozempic: 5 notificações
Wegovy: 3 notificações
Wegovy FlexTouch: 2 notificações
Rybelsus: 2 notificações
Mounjaro: 1 notificação
A agência informou que os registros podem envolver pacientes que utilizaram mais de um medicamento. No sistema de farmacovigilância, são 12 notificações relacionadas à semaglutida e uma à tirzepatida.
Os registros são feitos a partir de relatos de pacientes, médicos e fabricantes. Depois da notificação, os casos passam por avaliação para verificar possíveis relações entre o medicamento e o evento adverso.
O que já se sabe sobre o risco para a visão
A possibilidade de relação entre semaglutida e Noia já foi investigada em estudos científicos. Uma pesquisa publicada na JAMA Ophthalmology analisou grandes bases de dados e encontrou associação entre o uso da semaglutida e a ocorrência da doença, mas os próprios trabalhos apontam limitações para estabelecer que o medicamento seja a causa da lesão.
Outro estudo publicado em 2026, com veteranos norte-americanos com diabetes tipo 2, encontrou risco aproximadamente duas vezes maior de Noia entre pacientes que iniciaram semaglutida em comparação com usuários de inibidores de SGLT2. O risco absoluto, porém, permaneceu baixo.
Há também pesquisas que não encontraram aumento da incidência da doença entre usuários de semaglutida, o que mantém a discussão científica em aberto. Uma análise de ensaios clínicos apresentada pela Novo Nordisk, por exemplo, não identificou aumento de casos entre participantes que receberam semaglutida.
No Brasil, a Anvisa já havia determinado, em junho de 2025, a inclusão da Noia como reação adversa muito rara nas bulas dos medicamentos que contêm semaglutida, como Ozempic, Rybelsus e Wegovy. A medida ocorreu depois de uma avaliação do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos.
Por que a diabetes dificulta a investigação
Um dos pontos considerados pelos especialistas é que muitos usuários dessas medicações já apresentam doenças que podem aumentar o risco de problemas vasculares.
A diabetes, por exemplo, pode danificar os vasos sanguíneos e aumentar a vulnerabilidade do nervo óptico à falta de circulação. Por isso, quando um paciente diabético apresenta Noia durante o uso de uma caneta, não é possível concluir apenas pela coincidência temporal que o medicamento provocou a doença.
Além da Noia, o painel de farmacovigilância reúne notificações de outros problemas visuais entre usuários desses medicamentos. Há registros de visão turva, comprometimento visual, redução da acuidade visual, perda da visão central, perda súbita da visão e alterações no campo visual.
Esses registros não representam necessariamente o número de pacientes, já que uma mesma notificação pode apresentar mais de um sintoma.
Usuários devem interromper o tratamento?
A existência das notificações, por si só, não significa que pacientes devam interromper o tratamento. A decisão precisa considerar a indicação médica, as condições de saúde do paciente e os riscos e benefícios do medicamento.
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que diabetes, obesidade e hipertensão também estão associados a riscos importantes para a saúde. Por isso, o alerta é principalmente para o acompanhamento médico e para evitar o uso dos medicamentos sem indicação.
A recomendação ganha importância diante do crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras para fins estéticos. Quando não existe uma doença que justifique o tratamento, o paciente pode estar exposto aos efeitos adversos de um medicamento sem necessariamente obter um benefício médico proporcional.
Pessoas que apresentam perda súbita ou recente da visão precisam procurar atendimento médico. Pacientes com diabetes também devem manter o acompanhamento oftalmológico indicado para o controle de possíveis complicações.
O que dizem as fabricantes
A Novo Nordisk, fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, informou que seus estudos clínicos não identificaram aumento na incidência de Noia entre participantes que receberam semaglutida. A empresa também afirmou acompanhar notificações de eventos adversos e manter contato com autoridades regulatórias.
A farmacêutica declarou que, considerando os dados de ensaios clínicos, informações de pós-comercialização e estudos observacionais, entende que o balanço entre benefícios e riscos da semaglutida permanece favorável.
A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirmou que acompanha os dados de segurança de seus medicamentos e mantém discussões com autoridades regulatórias sobre possíveis questões relacionadas à segurança, incluindo problemas oftalmológicos.
Até o momento, portanto, as 13 notificações investigadas pela Anvisa permanecem classificadas como suspeitas. A investigação busca determinar se existe uma relação entre os medicamentos e a neuropatia óptica ou se os casos estão relacionados às próprias condições de saúde dos pacientes.
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