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Universidades públicas de SP criam normas para uso de inteligência artificial em atividades acadêmicas
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Instituições como USP, Unesp e Unicamp estabelecem regras para garantir transparência no uso da tecnologia em trabalhos acadêmicos e ampliar pesquisas na área de inteligência artificial.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Ilustratativa | Freepik
As principais universidades públicas do estado de São Paulo estão estruturando normas para orientar o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) em atividades acadêmicas. A iniciativa envolve a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De forma geral, as instituições defendem que o uso de sistemas de IA em trabalhos acadêmicos e atividades pedagógicas seja informado de maneira clara. As orientações indicam que estudantes e professores devem declarar quais plataformas foram utilizadas, suas versões e modelos, além de explicar como as ferramentas foram aplicadas, incluindo o registro dos chamados prompts — os comandos inseridos nas plataformas.
A criação dessas diretrizes ocorre em meio ao crescimento do debate sobre os impactos da inteligência artificial na educação, na ciência e na produção de conhecimento, especialmente diante da facilidade de geração automática de textos.
Entre as três universidades, a Unesp foi a primeira a apresentar um guia prático que estabelece categorias de uso da inteligência artificial no ambiente acadêmico. O documento define quais práticas são aceitáveis e quais configuram condutas inadequadas.
Segundo o guia, o uso da tecnologia é permitido em atividades como tradução de textos, elaboração de resumos e reformulação de parágrafos ou apoio à organização de ideias.
Por outro lado, as universidades consideram grave a prática de apresentar trabalhos produzidos total ou parcialmente por ferramentas de inteligência artificial como se fossem de autoria própria. O uso de IA em avaliações sem autorização do professor também é proibido.
Para os docentes, a tecnologia pode ser utilizada no planejamento de aulas e na preparação de conteúdos, desde que haja revisão humana. A criação de materiais didáticos totalmente automatizados sem informar os estudantes é considerada uma prática inadequada.
Curiosamente, o próprio guia elaborado pela Unesp foi produzido com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, informação que consta no documento.
Com o avanço da inteligência artificial no ambiente universitário, as instituições também estão criando estruturas específicas para lidar com o tema.
A Unesp planeja implantar o Instituto de Inovação em Inteligência Artificial (I3A), enquanto a USP está finalizando a criação do Escritório de Inteligência Artificial e Transformação Digital, ligado ao gabinete do reitor.
Esses órgãos devem coordenar pesquisas, orientar o uso da tecnologia e desenvolver protocolos para evitar plágio e garantir a integridade científica nas produções acadêmicas.
Como os softwares capazes de detectar textos gerados por inteligência artificial ainda apresentam falhas, muitos professores da Unicamp passaram a adotar novos formatos de avaliação. Provas orais e apresentações presenciais têm sido retomadas como alternativas para verificar o domínio do conteúdo pelos estudantes.
Além das normas para o uso acadêmico da tecnologia, as universidades também estão ampliando iniciativas de ensino e pesquisa na área de inteligência artificial.
A Unesp estuda a criação de um curso de graduação específico em inteligência artificial. Já na Unicamp, uma proposta de bacharelado em Inteligência Artificial e Ciência de Dados deve ser analisada pelo Conselho Universitário ainda neste mês.
A instituição também criou o Centro de Referência em Tecnologias de Inteligência Artificial, responsável por desenvolver protocolos institucionais e apoiar pesquisas sobre o uso da tecnologia.
Na USP, o tema também ganhou estrutura institucional. A universidade mantém centros dedicados à área, como o Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina, que participa de projetos nacionais voltados ao desenvolvimento de práticas éticas e responsáveis no uso da tecnologia.
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