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Brasil reduz distância da OCDE no Pisa, mas segue com baixo desempenho escolar

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Brasil reduz distância da OCDE no Pisa, mas segue com baixo desempenho escolar

Resultados do Pisa 2025 mostram estabilidade do país em relação a 2022, enquanto média da OCDE caiu.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil reduziu a diferença de desempenho em relação aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) entre 2006 e 2025. Apesar do avanço no longo prazo, o país ainda apresenta resultados abaixo da média internacional nas áreas de leitura, matemática e ciências. As informações são do Agência Brasil, em reportagem publicada nesta quinta-feira (10).

Os resultados do Pisa 2025 ficaram próximos aos registrados pelo Brasil em 2022. A redução da distância em relação à OCDE ocorreu, em parte, porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente estável enquanto a média dos países avaliados caiu, principalmente nos últimos anos.

"O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem", diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.

O Pisa é aplicado a cada três anos pela OCDE e avalia estudantes de aproximadamente 15 anos em matemática, leitura e ciências. A organização reúne 38 países e produz estudos, estatísticas e recomendações relacionadas a políticas públicas e desenvolvimento econômico e social.

"Podemos afirmar que o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura. No entanto, parte importante da aproximação ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática", avalia Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe).

Desempenho brasileiro

No Pisa 2025, o Brasil alcançou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE ficou em 466 pontos em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências.

A diferença equivale a aproximadamente 58 pontos em leitura, 92 em matemática e 77 em ciências. Como cada 20 pontos são associados a cerca de um ano de escolaridade, o desempenho brasileiro em matemática representa uma defasagem de aproximadamente 4,6 anos em relação à média dos países da OCDE.

Apesar do cenário atual, a distância diminuiu significativamente desde 2006. Em leitura, caiu de 102 para 58 pontos, uma redução de 44 pontos. Em matemática, passou de 131 para 92 pontos, diferença 39 pontos menor. Já em ciências, a distância recuou de 113 para 77 pontos, uma redução de 36 pontos.

Baixo nível de proficiência

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o principal problema é transformar a estabilidade dos resultados em crescimento efetivo da aprendizagem.

Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, considera positivo o fato de o Brasil não ter acompanhado a intensidade da queda registrada em outros países, mas chama atenção para o nível ainda baixo de desempenho. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar mínimo.

"O principal desafio continua sendo transformar essa estabilidade em crescimento real da aprendizagem matemática, ampliando a capacidade dos estudantes de interpretar situações, relacionar informações, escolher estratégias de resolução", pondera.

Além das dificuldades para garantir conhecimentos básicos, os especialistas apontam problemas também entre os estudantes de melhor desempenho. Segundo Lima, muitos alunos ainda encontram dificuldades para interpretar situações, decidir de forma autônoma qual conhecimento matemático utilizar e desenvolver raciocínios mais complexos.

"É um desafio nas duas extremidades", observa.

Felipe Proto também aponta a existência de uma parcela elevada de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência, principalmente em matemática e leitura. Para ele, as desigualdades educacionais continuam sendo um dos principais obstáculos para o avanço da aprendizagem.

O especialista também lembra que a geração avaliada no Pisa 2025 teve sua trajetória escolar afetada diretamente pela pandemia de covid-19, cujos impactos sobre a aprendizagem permanecem mesmo anos depois.

Desigualdade socioeconômica

A diferença de desempenho entre estudantes de diferentes condições socioeconômicas também aparece entre os principais problemas identificados pelo Pisa.

Rodrigo Fulgêncio aponta quatro gargalos: o elevado número de estudantes abaixo do nível básico, a pequena presença nos níveis mais altos de proficiência, a situação especialmente difícil em matemática e a desigualdade socioeconômica.

Em ciências, por exemplo, a diferença de desempenho entre os 25% dos estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos. O número corresponde a quase cinco vezes os 20 pontos associados, em média, a um ano de escolaridade.

O Pisa 2025 contou com aproximadamente 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 estudantes.

Entre os brasileiros avaliados, 72,4% estudavam em escolas da rede estadual, sendo que 96,9% dessas instituições estavam localizadas em áreas urbanas. Cerca de 84,7% dos participantes estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio durante a aplicação das provas, realizada entre abril e maio de 2025.

Nesta edição, o foco principal da avaliação foi o letramento científico, com maior quantidade de questões voltadas para ciências.

"Mais do que a posição relativa do país no ranking, o Pisa reforça a urgência de transformar a melhoria da aprendizagem em prioridade nacional, com foco em garantir que todos os estudantes desenvolvam as competências essenciais para a vida, o trabalho e a participação cidadã no século XXI", afirma Felipe Proto.

Celular, leitura e inteligência artificial

O Pisa 2025 também avaliou aspectos relacionados ao ambiente escolar e ao uso de tecnologia pelos estudantes.

No Brasil, 81% dos alunos avaliados estudavam em escolas com restrições ao uso de celulares. Em 2022, esse percentual era de 37%. A proporção brasileira ficou acima da média da OCDE, de 49%.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o dado está relacionado a evidências de que estudantes matriculados em escolas com regras para o uso desses dispositivos apresentam menor probabilidade de relatar distrações digitais durante as aulas.

A avaliação também identificou mudanças na forma como os estudantes leem. A chamada "leitura apressada", caracterizada por uma leitura rápida e imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025.

A OCDE identificou ainda dificuldades crescentes na capacidade dos alunos de avaliar informações, relacionar conteúdos de diferentes fontes e desenvolver pensamento crítico a partir da leitura.

Entre os estudantes brasileiros, 28% afirmaram que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências. Já 46% disseram utilizar inteligência artificial semanalmente ou com maior frequência para estudar.

Para Rodrigo Fulgêncio, os dados levantam uma questão sobre a velocidade das mudanças tecnológicas e a capacidade das escolas de acompanhar novas formas de aprendizagem.

"O grande alerta do Pisa 2025 talvez seja exatamente esse: ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio atual é ajudar os estudantes a sustentar a atenção, ler com profundidade, avaliar informações, construir raciocínios e utilizar a tecnologia para ampliar, e não substituir, o pensamento".

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