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Deputado baiano propõe criação da Conferência Municipal do Carnaval para enfrentar “mercantilização” da festa
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Proposta de Hilton Coelho (PSOL) foi endereçada para o prefeito Bruno Reis (União Brasil).
Por: Camaçari Notícias
Foto: Jefferson Peixoto/Secom PMS
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia, uma indicação direcionada à Prefeitura de Salvador para a criação da Conferência Municipal do Carnaval. A proposta prevê que o espaço funcione como instância oficial, democrática e permanente de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas voltadas à festa na capital baiana.
Segundo o parlamentar, a iniciativa é endereçada ao prefeito Bruno Reis e tem como objetivo enfrentar o que classifica como processo de mercantilização, elitização e privatização do Carnaval. “A proposta é direcionada ao prefeito Bruno Reis e enfrenta de forma radical o processo de mercantilização, elitização e privatização da maior festa popular da cidade”, afirmou.
Para Hilton Coelho, o Carnaval de Salvador é patrimônio cultural imaterial do povo soteropolitano, expressão da identidade negra e popular, além de motor da economia criativa. No entanto, ele avalia que o modelo atual concentra recursos e favorece grandes interesses empresariais, enquanto trabalhadores informais, blocos afro, afoxés, artistas populares, ambulantes, catadores, cordeiros, técnicos de som, motoristas de trio, moradores dos bairros e foliões acabam ficando à margem.
A Conferência Municipal do Carnaval, de acordo com o deputado, seria um instrumento de democracia cultural e controle social, permitindo discutir o modelo da festa, garantir transparência nos contratos de patrocínio e concessões, enfrentar a concentração de renda, ampliar o acesso e fortalecer o Carnaval dos bairros, com descentralização de investimentos e programação.
O parlamentar defende ainda que as decisões sobre a festa não fiquem restritas a gabinetes ou interesses privados. Ele argumenta que quem constrói o Carnaval com trabalho e participação direta precisa ter voz ativa na definição das políticas públicas, desde a organização dos circuitos até a proteção dos trabalhadores, o financiamento da cultura negra e popular e a mitigação dos impactos urbanos e ambientais do evento.
“Defender o Carnaval Popular é defender a cidade, a cultura negra, o trabalho digno e o direito de ocupar as ruas. Para nós, Carnaval é direito cultural. Sem povo decidindo, não tem festa justa. Defendemos mais participação, menos privatização. Sem participação popular, o Carnaval vira negócio para poucos. Com o povo decidindo, o Carnaval volta a ser do povo”, afirmou Hilton Coelho.
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