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Política
Estudo inédito da Secretaria de Modernização analisa impacto de políticas afirmativas e distribuição de verbas entre 2014 e 2024.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Rawpixel.com/Freepik
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou, nessa quarta-feira (15), em Brasília, um diagnóstico inédito detalhando a discrepância racial nos espaços de poder político brasileiro. O relatório consolida dados de 2014 a 2024, revelando que, embora candidaturas negras tenham crescido, a concentração de recursos e o sucesso nas urnas ainda enfrentam barreiras estruturais. A iniciativa atende a um pedido da Comissão de Promoção da Igualdade Racial para avaliar a eficácia das políticas afirmativas vigentes.
Predomínio branco e barreiras no financiamento público
A análise das candidaturas a cargos majoritários entre 2014 e 2024 mostra uma predominância persistente de pessoas brancas. Embora o grupo tenha registrado queda de 66% para 61,3% no total de concorrentes, o relatório reforça que o sistema político ainda possui mecanismos invisíveis de filtragem que dificultam a diversidade.
"O estudo busca não apenas estabelecer relações entre variáveis e identificar tendências temporais, mas também avaliar o impacto das políticas de ação afirmativa estabelecidas pela legislação nacional." — Relatório Técnico, Secretaria de Modernização (SMG/TSE)
No mesmo intervalo, a participação de pessoas negras, soma de pretos e pardos, alcançou 45,5% das candidaturas. Entretanto, o estudo nota que o crescimento dessas candidaturas, impulsionado pela decisão de 2020 sobre a distribuição proporcional de verbas, não foi acompanhado na mesma velocidade pelo sucesso eleitoral.
Eficiência de recursos e transição racial estratégica
O diagnóstico aponta um descompasso estrutural no uso do dinheiro público. Em 2022, candidaturas brancas apresentaram maior eficiência: 89,7% dos que receberam financiamento efetivamente utilizaram o recurso, enquanto em 2024 a taxa de utilização caiu para menos de 70% em todos os grupos, mantendo os brancos como maiores beneficiários absolutos.
Um dos pontos sensíveis do levantamento é a identificação de um fluxo de políticos que alteraram sua autodeclaração entre 2018 e 2022. A migração para as categorias "preta" e "parda" coincide com o período em que a identidade racial passou a garantir fatias maiores do Fundo Eleitoral, sugerindo um diálogo direto entre os dados e as novas normas de financiamento.
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