Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Notícias

/

Política

/

Flávio Bolsonaro pede aos EUA que evitem novas tarifas contra produtos brasileiros

Política

Flávio Bolsonaro pede aos EUA que evitem novas tarifas contra produtos brasileiros

Senador enviou ofício ao secretário de Estado norte-americano e argumentou que medidas comerciais podem agravar cenário econômico do Brasil

Por: Camaçari Notícias

Foto: Reprodução/redes sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República, divulgou nesta terça-feira (2) um ofício encaminhado ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando que o governo norte-americano não imponha novas tarifas comerciais ao Brasil.

A manifestação ocorre após o anúncio de medidas por parte dos Estados Unidos, que concluíram uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos do país.

No documento, redigido em inglês, Flávio Bolsonaro argumenta que o Brasil enfrenta desafios econômicos relevantes, incluindo uma dívida pública superior a 80% do Produto Interno Bruto (PIB), além de elevados níveis de endividamento de famílias e empresas. Segundo o senador, a adoção de novas barreiras comerciais poderia gerar impactos negativos para a economia e para a população brasileira.

O parlamentar também agradeceu ao governo norte-americano pela decisão de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, medida defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores políticos, a iniciativa é interpretada como uma tentativa de evitar os efeitos econômicos e políticos que uma nova rodada de tarifas ou sanções dos Estados Unidos poderia provocar no Brasil. Avaliações de analistas apontam que medidas dessa natureza tendem a gerar repercussões econômicas e impacto no debate político nacional.

O episódio ocorre em um contexto de atenção às relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante das discussões sobre tarifas, sanções e seus possíveis reflexos sobre setores produtivos e consumidores brasileiros.

Confira a tradução da carta:

Prezado Secretário Rubio,

Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.

O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.

Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.

Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.

Respeitosamente,

Flávio Bolsonaro

Senador da República Federativa do Brasil.

Siga o CN1 no Google Notícias e tenha acesso aos destaques do dia.

Relacionados