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Política
Proposta poderá ser votada diretamente no plenário e prevê pena de até cinco anos de prisão para atos de discriminação e ofensas contra mulheres
Por: Camaçari Notícias
Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) o regime de urgência para o projeto de lei que cria mecanismos de combate à misoginia no Brasil. A medida recebeu 293 votos favoráveis e 158 contrários, permitindo que a proposta seja analisada diretamente pelo plenário da Casa, sem necessidade de passar pelas comissões temáticas. Ainda não há previsão para a votação do mérito do texto.
O projeto propõe alterações na legislação antidiscriminatória brasileira para incluir e tipificar atos de misoginia, definidos como práticas, induções ou incitações ao menosprezo e à discriminação contra mulheres, bem como condutas que promovam violência, neguem igualdade de direitos ou atentem contra a dignidade feminina em razão da condição de mulher.
Entre os principais pontos da proposta está a criação do crime de injúria motivada pela condição de mulher, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão. A punição é semelhante à aplicada atualmente nos casos de injúria racial. O texto também prevê aumento de pena em até metade quando o crime for praticado por duas ou mais pessoas associadas.
A relatora da proposta, a deputada federal Tabata Amaral, coordenou o grupo de trabalho criado para discutir o tema na Câmara. O colegiado elaborou sugestões ao texto que havia sido aprovado anteriormente pelo Senado Federal, em março deste ano.
Durante os debates, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, destacou que as contribuições apresentadas pelo grupo de trabalho ainda não representam a versão final da proposta, que continuará sendo discutida pelos parlamentares.
A aprovação do regime de urgência gerou resistência entre integrantes da bancada evangélica. Durante a sessão, o deputado federal Otoni de Paula questionou possíveis impactos da proposta sobre a liberdade religiosa e citou passagens bíblicas para argumentar que determinados textos religiosos poderiam ser alvo de interpretações equivocadas.
Já o coordenador da bancada evangélica, Gilberto Nascimento, classificou o projeto como complexo. Apesar de reconhecer a disposição da relatora para dialogar com diferentes segmentos, afirmou que ainda possui ressalvas em relação ao conteúdo da proposta.
Com a aprovação da urgência, o texto poderá ser incluído na pauta de votações do plenário da Câmara a qualquer momento, dependendo da definição da presidência da Casa.
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