Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Notícias

/

Política

/

Justiça bloqueia transferência de terreno de Jaques Wagner negociado por R$ 15,8 milhões após operação da PF

Política

Justiça bloqueia transferência de terreno de Jaques Wagner negociado por R$ 15,8 milhões após operação da PF

Cartório de Camaçari suspendeu registro de imóvel destinado ao novo CT do Bahia por determinação do STF

Por: Camaçari Notícias

Foto: Alessandro Dantas

A transferência de um terreno de 51 mil metros quadrados pertencente ao senador Jaques Wagner (PT-BA), localizado na Região Metropolitana de Salvador e destinado à implantação do novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia, foi bloqueada por determinação da Justiça um dia após o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de recebimento de propina do Banco Master.

De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, a escritura do imóvel, negociado por R$ 15,8 milhões com uma empresa que tem entre os sócios o Grupo City, controlador da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Bahia, foi protocolada no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari no dia seguinte ao cumprimento dos mandados de busca e apreensão contra o senador, no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

No entanto, antes que a transferência fosse concluída, o cartório recebeu uma ordem de indisponibilidade de bens expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, suspendendo o registro do imóvel.

Segundo a cronologia apresentada pela reportagem, a Polícia Federal realizou a operação contra Jaques Wagner em 18 de junho de 2026. No dia seguinte, a defesa do senador tentou efetivar a transferência do terreno, mas o procedimento foi interrompido após a chegada da decisão judicial.

Além do terreno, outro negócio envolvendo o senador também foi afetado pela mesma determinação do STF. A transferência de um apartamento de luxo localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, vendido por R$ 10 milhões ao prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos (União Brasil), também foi bloqueada. A escritura desse imóvel havia sido protocolada cerca de uma semana antes da operação da Polícia Federal.

Somadas, as duas negociações alcançam R$ 25,8 milhões. Conforme a reportagem, Jaques Wagner já teria recebido ao menos R$ 12 milhões referentes às vendas, embora as transferências dos imóveis permaneçam suspensas por decisão judicial.

O terreno destinado ao futuro centro de treinamento do Bahia foi adquirido pelo senador no ano 2000 por R$ 28 mil. Corretores consultados pelo Estadão estimam que o valor de mercado da área atualmente seja de até R$ 12 milhões, abaixo dos R$ 15,8 milhões previstos na negociação.

Em nota, o Esporte Clube Bahia informou que o terreno integra um conjunto de áreas adquiridas de cinco proprietários distintos para implantação do novo centro de treinamento. Segundo o clube, o imóvel pertencente ao senador representa cerca de 4% da área total do empreendimento e o bloqueio da transferência não comprometerá o andamento das obras.

O prefeito Marcelo Passos confirmou a compra do apartamento e afirmou ser "terceiro de boa-fé". Em manifestação encaminhada ao STF e aos cartórios, ele solicitou a liberação do imóvel, argumentando que o contrato foi firmado no fim de 2025 e totalmente quitado em abril de 2026, antes da deflagração da operação da Polícia Federal.

"Tenho um nome a zelar. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade. Os pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jaques Wagner", declarou o prefeito.

A defesa do senador também negou qualquer irregularidade nas negociações. O advogado Pablo Domingues afirmou que todos os fatos estão sendo tratados judicialmente e que não há ilegalidade nas transações.

"A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder", afirmou.

A Polícia Federal apura suposto recebimento de vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero. O processo tramita sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.

Siga o CN1 no Google Notícias e tenha acesso aos destaques do dia.

Relacionados