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Jaques Wagner nega envolvimento em caso Banco Master e diz ter apoio de Lula durante investigação da PF
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Senador baiano afirmou que provará sua inocência, mas evitou comentar detalhes do inquérito que apura suposta relação com executivos ligados à instituição financeira.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (31) que é inocente das suspeitas investigadas pela Polícia Federal no caso envolvendo o extinto Banco Master. O parlamentar declarou que pretende comprovar sua inocência, mas preferiu não comentar diretamente as apurações por orientação de sua defesa.
Em entrevista à rádio Baiana FM, Wagner disse que seus advogados recomendaram que ele permaneça em silêncio sobre o processo. Segundo o senador, a investigação também pode servir para afastar suspeitas.
“O [meu] advogado e o pessoal de imprensa pedem para nem falar sobre isso. Dizem tudo que se está sendo investigado, é direito seu [Jaques] ficar em silêncio, mesmo diante da imprensa. Então peço até desculpa, ele pede para não falar. Mas vou citar uma frase no texto do ministro André Mendonça, que diz: ‘o inquérito, a investigação, serve até para afastar a culpa’”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que confia no andamento das investigações e disse estar concentrado na disputa eleitoral. “Então, eu tenho certeza de que vou provar minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Temos dois meses para a eleição. Sábado vai ser a nossa convenção com a presença do [presidente] Lula”, declarou.
Apoio de Lula
Wagner também afirmou que continua recebendo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após deixar a liderança do governo no Senado Federal em meio às investigações da PF.
Segundo o senador, a decisão de entregar o cargo ocorreu para evitar impactos negativos ao governo. “Estive com ele [Lula] quatro, cinco dias depois do episódio. Entreguei o cargo a ele para não contaminar, para não perturbar. Ele esteve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa, e amanhã vai estar comigo aqui [na Bahia]”, disse.
O senador ainda comentou sua pré-candidatura ao Senado e afirmou ter recebido manifestações de apoio durante encontros políticos realizados no estado. “Eu, sinceramente, estou bastante agradecido, inclusive, ao carinho do povo nos PGP [Programa de Governo Participativo] em que andei. Não teve zero de problema. Ao contrário, eu só recebi muitos: ‘Vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá’”, afirmou.
Investigação da PF
De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner é investigado por uma suposta relação com executivos ligados ao Banco Master. A corporação aponta que o senador mantinha uma relação próxima com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira, conhecido como “Guga”, e que essa ligação teria aproximado o parlamentar de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
A investigação indica que os contatos poderiam ter envolvido discussões sobre pautas legislativas e operações de interesse da instituição. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, tornou públicos documentos da PF que detalham os vínculos apontados pelos investigadores.
O senador foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.
Entre os elementos citados pela PF está a negociação de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria seguido um modelo semelhante ao utilizado na aquisição de imóveis investigados como possíveis vantagens indevidas envolvendo outros alvos da apuração.
Relação com ex-executivo do Banco Master
A Polícia Federal descreveu como “longa e duradoura” a relação entre Wagner e Augusto Lima. Segundo os investigadores, mensagens analisadas apontam encontros entre as famílias, viagens e demonstrações de proximidade.
A corporação também identificou registros de 74 ligações entre o senador e Augusto Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando cerca de cinco horas e meia de conversas.
Outro ponto citado na investigação foi uma lista chamada “Lembranças de Fim de Ano”, enviada pela secretária de Augusto em dezembro de 2024, com nomes de autoridades que receberiam presentes natalinos. O documento incluía Jaques Wagner, além de outros políticos baianos e nacionais.
A defesa do senador e o Palácio do Planalto foram procurados para comentar o caso.
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