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Política
Ofensas do presidente argentino reforçam crise diplomática e levam o governo brasileiro a reavaliar o envio de Julio Bitelli de volta a Buenos Aires.
Por: Camaçari Notícias
Foto: REUTERS/David 'Dee' Delgado
O governo federal deve adiar o retorno do embaixador brasileiro Julio Bitelli à Argentina diante das novas declarações ofensivas do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão é discutida pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty como resposta ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Bitelli havia sido chamado a Brasília para consultas, procedimento adotado pela diplomacia brasileira como sinal de insatisfação diante da postura do governo argentino. Nos últimos dias, havia expectativa de que o diplomata reassumisse suas funções em Buenos Aires ainda nesta semana, cenário que perdeu força com a nova escalada de ataques.
Em entrevista concedida no domingo (2) ao canal argentino La Nación+, Milei voltou a chamar Lula de "ladrão", "corrupto" e "ex-presidiário". O presidente argentino também afirmou que o chefe do Executivo brasileiro deixou a prisão por uma suposta "falha administrativa" e não por inocência.
Nos bastidores do governo brasileiro, auxiliares defendem que Lula mantenha distância da provocação e evite responder diretamente às declarações de Milei. A avaliação é de que o presidente argentino tenta transformar o confronto com o líder brasileiro em instrumento de projeção política no cenário regional.
Com esse entendimento, a orientação é preservar a resposta no campo diplomático, mantendo o embaixador brasileiro em Brasília por mais tempo e evitando ampliar o desgaste entre os dois governos.
A crise ganhou força durante a passagem de Milei pelo Brasil para participar da Convenção Nacional do PL, evento que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o presidente argentino dirigiu ofensas a Lula e também ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Como reação, o Itamaraty convocou Julio Bitelli para consultas e chamou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as declarações de Milei.
Dias depois, integrantes do governo argentino sinalizaram interesse em reduzir a tensão diplomática. O chanceler Pablo Quirno declarou que Buenos Aires não pretendia romper relações com o Brasil e manifestou expectativa pelo retorno do representante brasileiro.
As novas declarações de Milei, entretanto, interromperam o movimento de distensão. Na entrevista, o presidente argentino também acusou, sem apresentar provas, Lula de ter destinado US$ 1 bilhão para a campanha presidencial do então candidato peronista Sergio Massa, adversário derrotado por Milei na eleição de 2023.
Segundo o líder argentino, o presidente brasileiro teria interferido politicamente na região ao apoiar governos alinhados à esquerda, argumento usado para justificar as críticas direcionadas ao petista.
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