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Mais velhos ganham espaço nas urnas da Bahia com aumento de 200 mil eleitores em quatro anos
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Número de pessoas acima dos 60 anos aptas a votar aumentou 9,33% desde 2022, enquanto faixa jovem registrou queda de 178 mil eleitores no estado.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Divulgação/TSE
O perfil do eleitorado baiano passou por uma mudança significativa nos últimos quatro anos. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que a participação das pessoas com mais de 60 anos cresceu na Bahia, enquanto o número de jovens aptos a votar apresentou redução para as eleições gerais de 2026.
Em 2022, o público 60+ representava 2.232.013 eleitores no estado. Já para o próximo pleito, essa faixa etária reúne mais de 2,44 milhões de pessoas, um crescimento de 9,33%. O avanço acompanha uma transformação demográfica nacional, marcada pelo aumento da expectativa de vida da população.
Para o doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA) e analista político Melilo Dinis, a mudança no perfil da população também se reflete diretamente no eleitorado.
“O fenômeno é demográfico. Não tem motivo que não seja o fato de que vem mudando o perfil da população brasileira. E o eleitorado registra essa mudança”, afirmou.
Entre os grupos que mais cresceram estão os eleitores entre 65 e 69 anos, com alta de 16,29%, chegando a aproximadamente 605 mil pessoas. A faixa entre 70 e 79 anos apresentou o maior crescimento percentual, de 17,25%, passando de cerca de 269 mil para mais de 316 mil eleitores.
Já entre os eleitores mais jovens, o cenário foi diferente. Pessoas entre 16 e 24 anos tiveram uma redução de 178 mil eleitores em comparação com 2022. Apenas o grupo com menos de 18 anos perdeu quase 40 mil pessoas aptas ao voto no período.
Faixas etárias ganham importância no cenário eleitoral
A soma dos eleitores acima dos 60 anos com aqueles de até 24 anos mostra a relevância dessas duas parcelas para o resultado das eleições na Bahia. Juntos, os grupos representam 3.896.346 pessoas, cerca de 34,5% dos mais de 11 milhões de eleitores registrados no estado.
Segundo Melilo Dinis, os dois públicos possuem demandas diferentes que precisam ser consideradas pelos candidatos.
“Uma população com esse perfil de idade modifica também a qualidade da percepção dos problemas. O eleitorado 60+ tem como característica algum grau de resolução dos problemas mais imediatos. Geralmente é a questão da Saúde, menos a questão da Educação. A Segurança Pública tem um efeito importante; temas como o INSS, e obviamente, todo o caso de aposentados que foram metidos no escândalo do INSS”, explicou.
No caso dos eleitores mais jovens, as principais preocupações costumam estar relacionadas a emprego, geração de renda, formação profissional e acesso à educação.
Outro ponto de atenção para os candidatos é a abstenção eleitoral. No pleito de 2022, a Bahia registrou mais de 21% de eleitores ausentes, cerca de 2,4 milhões de pessoas. Desse total, aproximadamente 1,15 milhão pertenciam aos grupos de até 24 anos ou acima dos 60 anos.
Redes sociais ganham força na relação com o eleitor
Na avaliação do analista político, conquistar esses votos exige uma comunicação capaz de alcançar públicos com diferentes expectativas diante da política.
“O eleitor brasileiro está mudando e, na sua conjuntura, hoje o eleitor também é rejeitador. O voto para grande parte do eleitorado vira veto. Eu creio que as redes sociais e a revolução da Inteligência Artificial modificam profundamente a compreensão do eleitor sobre todos os fenômenos”, declarou.
Para Melilo, os candidatos precisarão investir na construção de uma relação mais próxima com o eleitorado, utilizando novas ferramentas de comunicação para apresentar propostas e fortalecer a identificação com diferentes grupos.
“O candidato, o político, ele tem que apostar em ser conhecido e se fazer conhecer, e as redes sociais jogam um aspecto muito importante dentro disso”, completou.
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