Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Notícias

/

Política

/

Mais de 700 candidatos mudam autodeclaração de cor ou raça para as eleições de 2026

Política

Mais de 700 candidatos mudam autodeclaração de cor ou raça para as eleições de 2026

Levantamento aponta 786 alterações entre candidatos registrados até esta semana.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um levantamento realizado pelo g1 identificou 786 candidatos registrados para as eleições de 2026 que alteraram a declaração de cor ou raça em comparação com o pleito de 2022. O número corresponde a 4,5% das 17.413 candidaturas cadastradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a noite de quarta-feira (12).

Os dados ainda podem mudar, já que o prazo para os partidos oficializarem os registros de candidatura termina às 19h deste sábado (15).

Apesar do volume, o número de alterações é menor do que o registrado nas eleições de 2022. Naquele ano, o levantamento apontou 2.510 mudanças de autodeclaração, o equivalente a 9% das candidaturas.

Branco para pardo lidera mudanças

A principal alteração identificada nas eleições deste ano é a de candidatos que se declararam brancos em 2022 e passaram a se declarar pardos em 2026. Foram 308 casos.

Na direção contrária, 262 candidatos que haviam se declarado pardos passaram a se identificar como brancos. Somadas, as duas mudanças representam 72,5% das divergências encontradas.

Entre os 786 candidatos que modificaram a autodeclaração, a distribuição atual ficou da seguinte maneira:

419 pardos, o equivalente a 53,3%;

275 brancos, 34,9%;

76 pretos, 9,6%;

9 indígenas, 1,1%;

7 amarelos, 0,9%.

O levantamento também identificou 313 candidatos que deixaram as categorias branca ou amarela em 2022 e passaram a se declarar pretos ou pardos em 2026. No sentido inverso, 269 fizeram o caminho de pretos ou pardos para brancos ou amarelos.

Quase todas as mudanças estão no Legislativo

As alterações estão concentradas principalmente nas disputas proporcionais. 95,8% dos casos envolvem candidaturas ao Legislativo.

São 452 candidatos a deputado estadual, 279 a deputado federal e 22 a deputado distrital com mudanças na declaração racial.

Também foram identificadas alterações entre candidatos ao Senado, com oito casos, além de sete candidatos a governos estaduais, nove suplentes e sete vice-governadores.

Na disputa pela Vice-Presidência da República, houve apenas uma mudança: um candidato do partido UP passou de preto para pardo. Entre os candidatos à Presidência, não foi registrada alteração de cor ou raça.

Republicanos aparece com maior número de mudanças

Em números absolutos, sem considerar o tamanho de cada partido, o Republicanos concentra o maior número de alterações, com 75 casos.

Na sequência aparecem PL, com 70, e MDB, com 62.

As legendas apresentaram explicações diferentes sobre os procedimentos adotados.

O PSD afirmou que segue a legislação e que a informação sobre cor ou raça é uma autodeclaração de responsabilidade exclusiva do candidato.

O PT informou que adotou neste ano uma banca de heteroidentificação para candidatos que se declaram pretos ou pardos.

Já o PSOL relatou a contratação de uma comissão externa do Instituto Quilombação para analisar fenótipos. Segundo a legenda, candidaturas negras podem receber até 15% a mais em recursos.

Autodeclaração também pesa na distribuição de dinheiro público

A declaração de cor ou raça tem impacto direto no financiamento das campanhas eleitorais. A legislação determina que pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário sejam destinados a candidaturas de pessoas pretas e pardas.

Por causa desse impacto financeiro, o sistema eleitoral passou a adotar mecanismos de conferência para alterações nas declarações.

Neste ano, o preenchimento automático das fichas exige validação individual. Quando um candidato altera a declaração para preta, parda ou indígena e a informação diverge de registros anteriores, o TSE intima o candidato e o partido para confirmar a mudança.

Se a alteração for reconhecida como erro ou a intimação não for respondida, a declaração pode ser revertida para a classificação anterior, com bloqueio do acesso aos recursos vinculados às cotas raciais.

O caso também pode ser comunicado ao Ministério Público Eleitoral para investigação.

O TSE não mantém uma comissão própria de heteroidentificação. As divergências que forem mantidas pelos candidatos serão analisadas durante o julgamento do registro das candidaturas. Como o período de registro ainda está aberto, os números levantados até agora podem sofrer alterações até o encerramento do prazo neste sábado.

Siga o CN1 no Google Notícias e tenha acesso aos destaques do dia.

Relacionados