Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Notícias

/

Política

/

Governo abre processo para avaliar resposta do Brasil às tarifas dos EUA

Política

Governo abre processo para avaliar resposta do Brasil às tarifas dos EUA

Medida inicia análise formal sobre possíveis contramedidas comerciais, mas não significa retaliação imediata.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O governo federal abriu formalmente, nesta quinta-feira (13), o processo para avaliar uma possível resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A análise será conduzida com base na Lei da Reciprocidade Econômica e poderá definir se o Brasil adotará contramedidas comerciais contra produtos norte-americanos.

O procedimento foi iniciado depois que a Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) compartilhou o pedido com os demais integrantes do Comitê-Executivo de Gestão. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverá notificar o governo dos Estados Unidos e solicitar a abertura de consultas diplomáticas.

Segundo o Palácio do Planalto, a iniciativa busca reduzir ou anular os efeitos das medidas adotadas pelos EUA e reforça a disposição brasileira de priorizar o diálogo e a negociação nas relações internacionais.

A abertura do processo, no entanto, não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente tarifas de retaliação. Neste momento, o governo fará uma avaliação para verificar se as medidas norte-americanas justificam a adoção das respostas previstas na legislação brasileira.

O que prevê a Lei da Reciprocidade

Sancionada no ano passado, em meio ao primeiro tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para que o Brasil possa suspender concessões comerciais diante de ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade da economia nacional.

Entre as possibilidades estão a criação de tributos ou taxas, o fim de isenções ou reduções de tarifas de importação e a restrição à entrada de determinados bens ou serviços no país.

A legislação determina que, sempre que possível, as contramedidas tenham proporção equivalente aos prejuízos provocados pelas medidas adotadas pelo outro país ou bloco econômico.

O governo brasileiro classificou as tarifas norte-americanas como "injustificadas e arbitrárias" e afirmou que continuará defendendo sua posição nas instâncias consideradas cabíveis.

Tarifa de até 37,5% atinge exportações brasileiras

As medidas dos Estados Unidos foram anunciadas em julho. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs inicialmente uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, atingindo setores como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos.

Na sequência, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada a outros produtos brasileiros, sob a justificativa de que o país não adotaria mecanismos considerados eficazes pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com as novas cobranças, que passaram a vigorar no fim de julho, a tarifa pode chegar a 37,5% para determinados produtos. Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas atingem aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

Brasil também recorre à OMC

A reação do governo brasileiro ocorre em diferentes frentes. Antes da abertura do processo de reciprocidade, o país já havia solicitado consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas norte-americanas são incompatíveis com as regras da entidade.

Os Estados Unidos aceitaram participar das consultas solicitadas pelo Brasil no âmbito da organização.

O governo também tem ressaltado que os Estados Unidos possuem superávit na relação comercial bilateral, ou seja, vendem mais ao Brasil do que compram do país.

Enquanto a análise sobre possíveis contramedidas avança, o governo afirma que pretende reduzir os impactos das tarifas sobre a economia e a renda dos brasileiros. Entre as estratégias anunciadas estão a diversificação de parceiros comerciais, a abertura de novos mercados e medidas de proteção aos setores afetados por meio do Plano Brasil Soberano.

A intenção, segundo o governo, é preservar empregos, manter a capacidade produtiva nacional e ampliar as alternativas para empresas brasileiras diante das novas barreiras impostas pelo mercado norte-americano.

Siga o CN1 no Google Notícias e tenha acesso aos destaques do dia.

Relacionados