Jerônimo Rodrigues participa de desfile cívico em Salvador e do Grito dos Excluídos em Alagoinhas
Publicado em
Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies
Notícias
/
Política
/
“Não considero vender os Correios”: Lula promete recuperar estatal e minimiza preocupação com dívida pública
Política
Em entrevista à Globo, presidente disse que pretende tirar os Correios do déficit, admitiu parcerias com empresas privadas e afirmou que crescimento da economia ajudará a reduzir o peso da dívida.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Globo/Manoella Mello
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nessa quinta-feira (27) que não pretende privatizar os Correios e disse que, caso permaneça no Palácio do Planalto, pretende recuperar financeiramente a estatal. A empresa acumula quatro anos consecutivos de prejuízos, com um rombo histórico de R$ 15 bilhões.
A declaração foi dada durante entrevista à Globo, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Lula também foi questionado sobre a dívida pública brasileira, que ultrapassou R$ 10 trilhões e chegou a 82% do Produto Interno Bruto (PIB).
Sobre o endividamento, o presidente afirmou que a situação não é motivo de preocupação e defendeu que o crescimento econômico pode fazer a dívida diminuir em relação ao tamanho da economia.
Lula rejeita privatização dos Correios
Ao falar sobre a situação financeira dos Correios, Lula descartou a possibilidade de vender a estatal e afirmou que pretende recuperar a empresa para que ela volte a oferecer serviços de qualidade à população.
“Desde 85 o Correio brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar os Correios”, afirmou.
Na sequência, o presidente foi direto ao responder se considera a possibilidade de vender a empresa.
“Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios, sabe? E para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro. E ele pode fazer”, declarou.
Segundo Lula, os Correios possuem importância estratégica por estarem presentes em todos os municípios brasileiros. Ele reconheceu, entretanto, que a empresa perdeu espaço diante das mudanças no setor de entregas e do crescimento de concorrentes.
“Obviamente que os Correios são vítimas de uma crise, que ele não se adaptou a um novo tempo. Não se adaptou, surgiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice.”
O presidente afirmou que a estatal está sob uma nova administração, que deverá promover os ajustes considerados necessários para recuperar a empresa.
Lula também mencionou a possibilidade de estabelecer parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar a atuação dos Correios.
“A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”
A expectativa apresentada pelo candidato é que, em um eventual novo mandato, a estatal consiga sair da situação deficitária.
Dívida pública não preocupa, diz presidente
Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre o aumento da dívida pública e sobre qual percentual do PIB pretende alcançar nos próximos quatro anos.
O presidente afirmou que o endividamento não o preocupa, mas não apresentou uma meta específica para reduzir a dívida.
A dívida pública ultrapassou R$ 10 trilhões e alcançou 82% do PIB, uma alta de cerca de 10 pontos percentuais durante o atual governo. Ao comentar o cenário, Lula atribuiu parte do aumento aos juros, atualmente citados por ele em 14% ao ano, e ao déficit fiscal de 2,8% que, segundo sua avaliação, foi herdado do governo Jair Bolsonaro (PL).
Para Lula, uma economia maior pode fazer com que a dívida represente uma parcela menor do PIB.
“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB”, disse.
Quarta entrevista com presidenciáveis
A sabatina de Lula foi a quarta de uma série de entrevistas realizadas pela Globo com candidatos à Presidência da República. A programação começou na segunda-feira (24), com Romeu Zema (Novo), seguida por Ronaldo Caiado (PSD), na terça-feira (25), e Renan Santos (Missão), na quarta (26).
A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a participação de representantes dos partidos. A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto.
A programação segue nesta sexta-feira (28), com Flávio Bolsonaro (PL), e termina no sábado (29), com Augusto Cury (Avante).
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são realizadas fora do Jornal Nacional. Depois da transmissão, as entrevistas ficam disponíveis na íntegra no g1 e no Globoplay.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
Lula busca o quarto mandato
Aos 80 anos, Lula tenta conquistar em 2026 seu quarto mandato como presidente da República. Se for reeleito, poderá completar 16 anos no comando do país.
Nascido em Garanhuns, em Pernambuco, Lula se mudou ainda criança para São Paulo com a mãe e os irmãos. Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica.
Em São Bernardo do Campo, ganhou projeção nacional como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, especialmente por sua atuação nas greves do fim dos anos 1970, durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Depois de disputar sem sucesso as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998, foi eleito em 2002 e reeleito em 2006. Deixou o cargo em 2010, com 87% de aprovação, segundo a pesquisa citada no material da entrevista.
Durante os dois primeiros mandatos, seus governos tiveram como prioridades o combate à pobreza e à desigualdade social. Nesse período, foram lançados ou ampliados programas como Fome Zero, Bolsa Família, ProUni, Minha Casa, Minha Vida e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A trajetória política de Lula também foi marcada pelo escândalo do Mensalão e, posteriormente, pela Operação Lava Jato.
Em 2017, ele foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Lula sempre negou as acusações. Preso em 2018, permaneceu 580 dias em Curitiba.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo seus direitos políticos e permitindo que voltasse a disputar eleições.
No ano seguinte, Lula formou uma ampla coalizão política contra o bolsonarismo e venceu Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, retornando ao Palácio do Planalto para o terceiro mandato.
Governo enfrenta desafios econômicos e políticos
No atual mandato, o governo aprovou a reforma tributária, ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e anunciou que o Brasil havia deixado novamente o Mapa da Fome.
A gestão também enfrentou crises e dificuldades políticas, entre elas as fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigações envolvendo um dos filhos do presidente, dificuldades na relação com o Congresso e conflitos diplomáticos com os Estados Unidos.
O governo ampliou a estrutura administrativa e recriou ministérios, enquanto também passou a receber críticas relacionadas à política econômica, ao aumento dos gastos públicos e à relação com o Congresso.
Em 2026, o PT oficializou novamente a candidatura de Lula à Presidência, tendo Geraldo Alckmin como candidato a vice.
Propostas para um eventual novo governo
Entre as propostas apresentadas no plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão o fortalecimento da democracia, uma reforma política e eleitoral e a defesa da soberania brasileira.
O documento também prevê avanços na regulamentação das redes sociais e plataformas digitais, com a defesa da liberdade de expressão; mudanças na gestão do orçamento público; discussão sobre o sistema de emendas parlamentares; manutenção do arcabouço fiscal aprovado em 2023 e uma política econômica voltada ao crescimento, redução das desigualdades, valorização do trabalho, responsabilidade fiscal e controle da inflação.
Na área social, Lula propõe manter e ampliar políticas de proteção social, valorizar o salário mínimo, ampliar programas de transferência de renda e avançar em medidas relacionadas à educação e à saúde.
O plano também apoia o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, conforme os termos aprovados pela Câmara.
Na segurança pública, as propostas incluem a aprovação da PEC da Segurança Pública apresentada pelo Executivo, a criação de um Ministério da Segurança Pública, o combate ao crime organizado, maior integração entre União, estados e municípios e ampliação do uso de câmeras corporais.
O programa prevê ainda o fortalecimento das Forças Armadas e da indústria de defesa, maior autonomia tecnológica e estratégica e uma política externa voltada à ampliação das relações comerciais e diplomáticas do Brasil.
Na área internacional, Lula defende o fortalecimento da integração regional, da América do Sul e do Caribe, além do Mercosul como plataforma de integração econômica, produtiva, política e social.
O plano também prevê a busca por novos acordos comerciais e mercados para produtos e serviços brasileiros, com defesa dos interesses nacionais baseada nas normas internacionais e no multilateralismo.
Siga o CN1 no Google Notícias e tenha acesso aos destaques do dia.
Publicado em
Publicado em
Publicado em
Publicado em
Política
06/09/2026 18:40
Política
06/09/2026 18:20
Política
06/09/2026 16:00
Política
06/09/2026 12:20