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No Dia Nacional do Samba: vocalista da Turma do Samba celebra 24 anos de trajetória e reforça legado do ritmo em Camaçari

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No Dia Nacional do Samba: vocalista da Turma do Samba celebra 24 anos de trajetória e reforça legado do ritmo em Camaçari

Arlindinho Santos relembra origem do grupo, desafios da carreira, impacto da pandemia, novo EP e o fortalecimento da cena sambista na cidade

Por: Sheila Barretto

Foto: Camaçari Notícias

No Dia Nacional do Samba, celebrado nesta terça-feira (2), o cantor Arlindinho Santos, vocalista da Turma do Samba, compartilhou memórias, desafios e conquistas acumuladas ao longo de 24 anos de carreira. Recebido pelo CN1, o artista fez uma viagem pela história do grupo e refletiu sobre a importância do ritmo na formação cultural de Camaçari e do Brasil.

Da infância musical à formação da Turma do Samba

Criado em uma família de músicos, Arlindinho cresceu entre shows, ensaios e referências artísticas. Desde cedo, ele e os colegas que formariam a futura banda encontraram apoio em projetos da cidade, como a Casa da Criança e do Adolescente, que funcionou como incubadora de talentos.

“A música sempre fez parte do nosso dia a dia. A gente respirava isso desde criança”, lembra.

A Turma do Samba nasceu oficialmente em 7 de dezembro de 2000, após o grupo ser convidado para tocar em uma festa de fim de ano da empresa onde trabalhavam. O nome, simples, veio da vontade de incluir todos no movimento — integrantes, amigos e público. Antes disso, o grupo chegou a se chamar Turma do Gole, numa brincadeira típica da juventude, mas logo o nome foi abandonado.

“Turma do Samba é um nome que acolhe. Quem ouve, quem gosta, quem chega perto, faz parte da turma”, explica.

Desafios, recusas e a construção da identidade

Os primeiros anos foram marcados por poucas oportunidades, muitas recusas e a necessidade de resistência. Sem espaço no cenário local, os músicos passaram a realizar seus próprios eventos no restaurante Feijão do Lindu, da família de Arlindinho.

“Se a gente não fizesse samba, a cidade ia ser invadida por música que não presta. A gente entendia o papel social da música”, afirma.

Nesse período, surgiram episódios memoráveis — como a apresentação improvisada do então desconhecido duo de hip hop Double Deck, formado por Uri Menezes e Macedo (Zé Atunbi), que surpreendeu o público ao subir ao palco. “Foi histórico. Ninguém registrou porque naquela época não tinha celular filmando tudo. Mas quem viu, nunca esqueceu.”

O primeiro disco e a mudança de fase

Em 2018, após quase duas décadas de estrada, o grupo lançou seu primeiro álbum, resultado de um processo longo e cheio de aprendizado. Com produção e apoio de músicos e técnicos de Camaçari, o trabalho abriu portas para apresentações em grandes eventos, como o Sunset Festival e shows com artistas consagrados.

“Foi quando percebemos a importância de produzir algo nosso, original”, conta.

A pandemia, porém, interrompeu os planos do grupo, incluindo o lançamento de um EP previsto para 2020. A tentativa de gravar um audiovisual durante o período de restrições sanitárias se revelou uma das fases mais difíceis da trajetória: afastamentos, medo, limitações técnicas e até a saída de integrantes.

“Era para ser um momento de celebração, e acabou virando um turbilhão. Mas a gente aprendeu demais.”

Acidente e renascimento artístico

Pouco tempo depois, Arlindinho sofreu um grave acidente de bicicleta que quase lhe tirou a vida. A recuperação física e emocional trouxe uma nova perspectiva sobre o fazer artístico. “Eu pensei: se Deus me deu essa segunda chance, não posso ficar protelando. Eu preciso continuar produzindo”, relata.

Com apoio de produtores e músicos da cidade, o grupo voltou ao estúdio. O resultado foi o EP “De Volta ao Jogo”, lançado em setembro de 2025 — um marco simbólico do recomeço.

O cenário atual do samba em Camaçari

O olhar de Arlindinho para a cena local é otimista. Segundo ele, o samba nunca esteve tão forte na cidade. A popularidade de grupos como o Fascinante, a presença constante de artistas locais e de Salvador na programação cultural e o interesse do público mostram que o ritmo vive um momento especial.

“A gente capinou muito terreno nos anos 2000. Hoje está florescendo”, diz, orgulhoso.

Apesar do crescimento, ele destaca a ausência histórica de políticas públicas consistentes voltadas aos músicos da cidade, mas avalia que o setor tem conseguido se mobilizar com esforço e profissionalização.

Samba como identidade e missão

Para Arlindinho, o samba vai muito além da música: é vivência, resistência e comunidade. “Samba é o que a gente respira. É nosso jeito de viver. E estar aqui hoje, no Dia Nacional do Samba, contando essa história, é fantástico”.

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