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Pacientes denunciam maus-tratos e condições precárias em centro de reabilitação de Camaçari
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Familiares relatam violência, privação de alimentação e falta de profissionais de saúde; casos já estão sob investigação do Ministério Público da Bahia.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Reprodução/Portal BNews
O Centro Terapêutico Família Camaçari, em Camaçari, está sob investigação por denúncias de maus-tratos e condições insalubres contra pacientes.
O centro funcionava anteriormente em Itacimirim, atendendo homens e mulheres em tratamento para transtornos psiquiátricos ou dependência química. Atualmente, a instituição opera em dois endereços distintos em Barra do Jacuípe, separados por gênero, um para homens e outro para mulheres. Segundo denúncias, a mudança de endereço ocorreu devido à falta de pagamento do aluguel e à depredação do imóvel, que culminou em ação de despejo.
Familiares de pacientes afirmam que a clínica não dispunha de condições mínimas de atendimento, sem médicos, enfermeiros, técnicos ou psicólogos para oferecer suporte adequado. “Ele foi para fazer tratamento, mas está sofrendo e sendo judiado nesse lugar”, relatou um familiar de um paciente designado pela Justiça para a clínica, acrescentando que o jovem teria sido agredido e mantido em isolamento no quarto. A família já recorreu à Justiça para solicitar a transferência do paciente para o convívio familiar, onde possa receber atendimento digno.
Segundo a denúncia, existem mais de 80 boletins de ocorrência registrados na 33ª Delegacia Territorial (DT) de Monte Gordo contra a clínica e o proprietário, mas nenhuma medida efetiva teria sido tomada até o momento. O advogado do dono da instituição informou que não irá se pronunciar, alegando que qualquer manifestação ocorrerá no curso do processo judicial.
Mortes e agressões
O caso ganhou ainda mais repercussão após mortes de internos na unidade. No sábado (21), a interna Aline da Silva Fernandes, de 43 anos, faleceu ao ter sido atingida por um soco no pescoço.
Outra morte está sendo investigada: Leandro Araújo de Andrade, internado há sete meses, foi encontrado com marcas no pescoço em 2024. Familiares relatam agressões praticadas por funcionários, inclusive contra menores de 16 anos, além de privação de alimentação e condições precárias de higiene. “Essa clínica maltrata demais os internados, um parente meu perdeu muito peso e passou dias sem comer, sofrendo agressões. Já deram até um mata-leão nele”, disse um familiar de ex-interno.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que confirmou a existência de uma denúncia, mas informou que o processo tramita em segredo de Justiça.
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