Vereadora Luma Menezes passa por cirurgia abdominal após grave acidente na BR-110
Publicado em
Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies
Camaçari
Episódio 76 do CNCAST debate o fim da "bolha da superproteção" e a importância da rede de apoio no desenvolvimento de pessoas com T21; especialistas e familiares defendem autonomia e estímulo precoce
Por: Camaçari Notícias
Foto: Reprodução
O episódio 76 do CNCAST promoveu um debate essencial sobre o acolhimento e a autonomia de pessoas com T21 (Síndrome de Down) em Camaçari. Com a participação de Sheila Cunha (mãe e terapeuta), Mirian Oliveira (musicoterapeuta) e Marcondes Souza (Presidente da APAE), o programa explorou como a união entre rede de apoio, estimulação precoce e o fim do isolamento social são as chaves para transformar o diagnóstico em uma jornada de pertencimento.
Para muitas famílias, o diagnóstico da T21 chega acompanhado de um silêncio hospitalar ou de uma abordagem técnica desprovida de humanidade. Sheila Cunha relembrou sua experiência há 15 anos, quando a suspeita foi lançada de forma impessoal por uma equipe médica: "A médica jogou a suspeita e saiu... ficamos naquele turbilhão, sem saber o que estava acontecendo", relatou. Esse impacto inicial é o primeiro passo de uma jornada que, segundo Sheila, exige que a família saia do luto pelo "filho idealizado" para abraçar o "filho real". O desafio é transformar a paralisia do susto em ação, buscando métodos que estimulem o desenvolvimento desde o berço.
O relato de Sheila reflete a realidade de milhares de brasileiros. De acordo com o Ministério da Saúde, a alteração genética ocorre, em média, em 1 a cada 700 nascimentos. No Brasil, estima-se que existam cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down. Em uma cidade como Camaçari, onde a taxa de natalidade registra centenas de novos cidadãos mensalmente, a estatística reforça a necessidade de políticas públicas e redes de apoio locais robustas. A T21 não é uma doença, mas uma condição genética que não impede o desenvolvimento, desde que haja estímulo adequado.
Se o diagnóstico assusta, instituições como a APAE Camaçari servem como porto seguro. Marcondes Souza, presidente da entidade, destacou que a associação nasceu justamente de uma necessidade familiar que se tornou coletiva. Situada na Rua Santa Rosa há 36 anos, a APAE atende centenas de pessoas, combatendo o que Marcondes chama de "bolha da superproteção". "Você tem que cobrar a inclusão do próximo, mas você também tem que se incluir na inclusão", afirmou Marcondes, defendendo que as famílias precisam confiar no potencial de seus filhos.
A musicoterapeuta Mirian Oliveira concordou com a fala do presidente da APAE e pontuou que a "bolha" da superproteção, embora muitas vezes nasça do amor e do medo, acaba sendo uma barreira invisível para o desenvolvimento intelectual e motor. Segundo a especialista, subestimar o potencial de uma criança com T21 é o primeiro passo para o isolamento. Mirian reforçou que o ritmo de aprendizado pode ser diferente, mas a capacidade de evolução é real e contínua. "Muitas vezes a sociedade enxerga a limitação e não o potencial. Com o tratamento adequado e a socialização, eles se desenvolvem e ocupam seus espaços", destacou a musicoterapeuta, enfatizando que a convivência em ambientes como a escola e o lazer é o que alimenta a neuroplasticidade e combate a solidão.
Ao final deste episódio do CNCAST, os participantes da mesa chegaram à conclusão de que a verdadeira inclusão não é sobre o que a pessoa com T21 consegue fazer, mas sobre o quanto a sociedade está disposta a abrir espaço para que ela tente. Através da educação e da ocupação de espaços públicos, jovens com T21 estão provando que o diagnóstico não é um ponto final. O sentimento de pertencer, ser reconhecido pelo nome e participar da vida da cidade é o antídoto definitivo contra a solidão.
Por: Ludmila Santana
Publicado em
Publicado em
Publicado em
Publicado em
Camaçari
20/04/2026 16:11
Camaçari
20/04/2026 12:14
Camaçari
20/04/2026 07:40
Camaçari
19/04/2026 11:30