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Audiência pública em Camaçari debate enfrentamento à violência contra a mulher

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Audiência pública em Camaçari debate enfrentamento à violência contra a mulher

Relatos emocionantes e propostas reforçam urgência de ampliar rede de proteção e políticas públicas no município

Por: Camaçari Notícias

Foto: Dicom/CMC

A Câmara Municipal de Camaçari realizou, na tarde desta segunda-feira (13), uma audiência pública para discutir o enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa partiu da Comissão de Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher e reuniu autoridades, representantes da sociedade civil e moradoras do município em um espaço marcado por escuta ativa e busca por soluções.

Presidida pela vereadora Sales de Brito, a mesa contou com a presença dos vereadores Neidinha, Luisão e Tagner Cerqueira, além da participação da vereadora Juliana Cristina. A sessão teve predominância feminina no público e destacou a necessidade de fortalecer políticas de proteção.

O momento mais impactante ocorreu com o depoimento de Hana Assis, que relatou a dificuldade enfrentada até conseguir uma medida protetiva. Ela é a primeira mulher no município a utilizar o “Botão do Pânico”, dispositivo que aciona a polícia e monitora o agressor por meio de tornozeleira eletrônica. “Hoje sou protegida pela Lei Maria da Penha”, afirmou, destacando a importância da tecnologia aliada à justiça.

A secretária da Mulher, Branca Patrícia, apresentou um balanço das ações da pasta e ressaltou a reestruturação de equipamentos como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) e o Núcleo de Atendimento à Mulher (NAM). Segundo ela, as medidas foram essenciais para ampliar o acolhimento às vítimas. A gestora também destacou o “Selo Camaçari Mulher”, voltado à promoção da equidade de gênero no mercado de trabalho.

A segurança pública foi representada pela major Jeane Nascimento, primeira mulher a comandar a 59ª CIPM em Vila de Abrantes. Ela apresentou dados que apontam 509 novos casos registrados em 2025, ressaltando que “não são apenas números, mas histórias de dor que exigem ação”. Também participaram a sargento Carmem Lúcia e a subtenente Edna Souza, da Ronda Maria da Penha, reforçando que a violência doméstica atinge todas as classes sociais.

Durante o debate, a vereadora Juliana Cristina defendeu a efetividade das leis existentes como instrumento de transformação social. Já Ellen Borges, representando a deputada federal Ivoneide Caetano, sugeriu a criação de uma Procuradoria da Mulher no Legislativo municipal, com o objetivo de ampliar a proteção inclusive no ambiente institucional.

A audiência também abriu espaço para relatos do público, como o da Sra. Silva, que abordou as consequências da violência obstétrica, conectando o tema às questões de raça e deficiência.

Ao final, o vereador Luisão propôs um minuto de silêncio em memória das vítimas. A vereadora Neidinha destacou avanços recentes na legislação federal voltada à proteção de mulheres indígenas e reforçou a necessidade de participação masculina no enfrentamento à violência.

Encerrando a sessão, a vereadora Sales de Brito afirmou que as discussões serão transformadas em propostas concretas. “Nosso compromisso é garantir que a voz das mulheres de Camaçari continue sendo ouvida e respeitada”, concluiu.

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