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Segurança em Camaçari: entre a queda nas estatísticas e o desafio da percepção real

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Segurança em Camaçari: entre a queda nas estatísticas e o desafio da percepção real

Enquanto estatísticas oficiais apontam queda de 18% na criminalidade, moradores de Camaçari relatam mudanças drásticas na rotina para evitar assaltos

Por: Camaçari Notícias

Foto: Imagem ilustrativa feita por IA

O cenário da segurança pública em Camaçari vive um momento de dualidade. De um lado, os indicadores oficiais da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) apontam uma redução de 18% nos índices de criminalidade na Região Metropolitana neste primeiro trimestre de 2026. Do outro, a rotina de quem transita pelas ruas da cidade revela que o sentimento de insegurança ainda dita o comportamento de muitos moradores.

As recentes operações no Centro Comercial e o reforço no patrulhamento ostensivo buscam consolidar a tendência de queda nos crimes violentos. No entanto, para parte da população, a conta entre números e realidade ainda não fecha.

O medo que altera a rotina

Para muitos munícipes, a estratégia de defesa começa antes mesmo de sair de casa. É o caso de Fábio Silva, que relata uma preocupação constante com a integridade da família.

"Hoje eu não me sinto seguro aqui em Camaçari, é o cenário atual que a gente vê, e frequentemente vemos os efeitos da violência atingindo alguém próximo da gente. Tudo isso é muito preocupante e não notamos uma melhora. Tudo isso faz com que a gente não se sinta seguro da forma que gostaríamos de nos sentir. Quando eu vou levar o meu filho para fazer um exame, eu sempre pesquiso a rua para já ter uma noção de como é o lugar que eu estou indo e evitar sofrer um assalto ou passar por uma situação complicada", destacou Fábio.

A mudança de hábitos também é a única saída encontrada por Daniel Ventura. Para ele, a liberdade de ir e vir tem horário marcado para terminar.

"A partir das 18h a gente já não pisa mais os pés na rua para evitar ser assaltado. Eu trabalho rotativo e todas as vezes que eu desço do ônibus eu faço uma rota diferente no caminho para casa, eu evito ficar andando sempre na mesma localização. Eu já fui assaltado duas vezes aqui em Camaçari, e isso dentro de um ano", relatou Daniel.

Contrastes: Centro vs. Bairros

Apesar do clima de alerta, há quem perceba avanços pontuais, especialmente em áreas de grande circulação comercial onde o policiamento foi intensificado. Marcela Lohanna observa que, embora o passado seja marcado por traumas, o presente no coração da cidade parece mais estável.

"Eu sinto que as coisas melhoraram aqui na cidade em termos de violência e que o policiamento tem sido mais reforçado. Eu já sofri dois assaltos aqui na cidade, em bairros e lugares diferentes. Eu tenho achado o centro da cidade bastante seguro, mas já deixei de ter lazer e já deixei de frequentar certos bairros aqui na cidade por conta de boatos", explicou Marcela.

Cuidado preventivo

Em meio ao debate sobre a efetividade das ações públicas, surge também a visão de que a segurança depende da vigilância individual. Para Marcilene Dias, a cidade já viveu períodos mais críticos e a prevenção é a melhor ferramenta do cidadão.

"Segurança é algo relativo. A gente não deve ficar andando com o celular exposto, por exemplo, e eu vejo jovens aqui na cidade que dão muito vacilo. Eu tomo esses cuidados e consigo viver aqui com mais tranquilidade. Acredito que Camaçari já teve tempos mais perigosos", pontuou Marcilene.

O desafio para as autoridades de Camaçari em 2026 permanece claro: transformar a redução estatística em uma sensação de paz que alcance não apenas o Centro, mas todos os bairros e a zona rural do município.

Por: Igor Santiago

 

 

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