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Camaçari
Episódio do CNCast reuniu especialistas e uma mãe atípica para discutir inclusão escolar, diagnóstico precoce e a falta de estrutura no atendimento a crianças com TEA.
Por: Camaçari Notícias
O episódio do CNCast exibido na última terça-feira (28) abordou os desafios enfrentados por famílias de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), com foco na inclusão escolar, acesso a tratamento e impacto emocional. A edição teve como tema o Abril Azul e reuniu a mãe atípica Juliana Mares, a psicóloga clínica Beatriz Rocha e a psicopedagoga Jéssica Couto.
Durante a conversa, as participantes destacaram que o autismo não pode ser tratado de forma padronizada. Segundo Beatriz Rocha, o espectro é amplo e se manifesta de maneiras diferentes em cada indivíduo.
“O autismo é uma forma de ver, sentir e viver o mundo. Cada criança tem suas próprias necessidades e características”, afirmou.
A psicóloga também chamou atenção para o preconceito ainda presente na sociedade, que, segundo ela, contribui para a exclusão e o estigma de crianças diagnosticadas. A mãe Juliana Mares relatou que os primeiros sinais no filho, Felipe, surgiram ainda na primeira infância, com dificuldades alimentares, atraso na fala e sensibilidade a estímulos.
“Ele parou de comer, não aceitava alimentos e a gente não entendia o que estava acontecendo”, contou.
O diagnóstico foi fechado por volta dos 3 anos, após uma série de atendimentos médicos. Segundo Juliana, o processo foi marcado por incertezas e falta de orientação adequada. No campo educacional, a psicopedagoga Jéssica Couto destacou que a escola costuma ser o primeiro ambiente a identificar sinais de desenvolvimento atípico, mas alertou para a falta de preparo das instituições.
“O professor é, muitas vezes, quem percebe primeiro, mas a escola ainda não está preparada para lidar com essa demanda”, afirmou.
Ela ressaltou que a inclusão não deve se limitar à matrícula do aluno, mas envolver toda a estrutura escolar, desde a equipe pedagógica até o ambiente físico. Outro ponto abordado foi a dificuldade de acesso a terapias e especialistas. De acordo com Juliana, mesmo no sistema privado, há escassez de profissionais, o que impacta diretamente o desenvolvimento das crianças.
“A gente recebe o diagnóstico e não consegue iniciar o tratamento. Faltam profissionais em todas as áreas”, relatou.
A situação é ainda mais crítica na rede pública, onde, segundo as participantes, a demanda supera a capacidade de atendimento. A discussão também trouxe à tona o impacto emocional enfrentado pelas famílias, especialmente pelas mães, que assumem a maior parte dos cuidados.
Beatriz Rocha destacou a importância do acompanhamento psicológico para essas mulheres e reforçou a necessidade de suporte emocional.
“Quem cuida também precisa ser cuidado”, afirmou.
O episódio também destacou uma mobilização realizada em Monte Gordo, distrito de Camaçari, onde mães atípicas organizaram uma caminhada de conscientização durante o mês de abril. A ação reuniu centenas de pessoas e teve como objetivo dar visibilidade à causa e cobrar melhorias no atendimento.
“Quando fomos para a rua, muitas pessoas se surpreenderam com a quantidade de famílias”, relatou Juliana.
Segundo ela, o movimento também ajudou a identificar casos de mães que vivem isoladas e ainda enfrentam o autismo de forma silenciosa.
Ao longo do episódio, as participantes reforçaram a necessidade de ampliação das políticas públicas, maior qualificação de profissionais e acesso a informações confiáveis sobre o autismo. As falas destacaram que a inclusão ainda enfrenta desafios estruturais e culturais, exigindo mudanças tanto no poder público quanto na sociedade.
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