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Fim da escala 6x1: População de Camaçari se divide entre qualidade de vida e necessidades do mercado
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Votação na CCJ e propostas do Governo Federal movimentam debate entre moradores que buscam equilíbrio entre qualidade de vida e demandas de mercado.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Imagem ilustrativa feita por IA
O debate sobre o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 ganhou novos capítulos esta semana com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados. Enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa o relatório do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) sobre a admissibilidade da proposta, o Camaçari Notícias foi às ruas para ouvir quem realmente sente os impactos dessa decisão: o trabalhador camaçariense.
Atualmente, a carga horária semanal é fixada, na maioria dos casos, em 44 horas. As propostas em tramitação buscam alterar essa realidade, mas as opiniões nas praças e comércios da cidade revelam um cenário complexo.
Para muitos, a escala de seis dias de trabalho por apenas um de descanso é vista como um obstáculo ao desenvolvimento pessoal. O munícipe Valdivan Ferreira defende que a mudança é uma questão de direito e igualdade.
"Eu acho que o trabalhador brasileiro trabalha nessa escala 6x1 por necessidade, porque o trabalhador precisa ter um tempo para descansar, estudar, fazer um lazer, porque assim como os empresários têm esse direito, o trabalhador também deveria ter. Eu não vejo por que não mudar a escala de 6x1, eu acho que todo trabalhador que está nessa escala não tem tempo para resolver os problemas do dia a dia", destacou Valdivan.
O sentimento de "exploração" também foi mencionado por João Rosivaldo, que vê de perto as dificuldades enfrentadas por quem vive essa rotina. "Eu acho isso uma exploração do trabalhador, não é possível a pessoa trabalhar e só ter um dia de descanso. Eu tenho uma filha que trabalha nessa escala, ela concilia ao máximo para tentar resolver as coisas, mas mesmo assim algumas coisas ficam pendentes", lamentou.
Por outro lado, há quem enxergue a escala como uma engrenagem vital para o funcionamento da sociedade, especialmente em serviços que não podem parar. É o caso de Lucidalva Santos, que atua na limpeza urbana da cidade.
"No meu ponto de vista é uma necessidade de mercado. Para mim que trabalho como gari, um serviço essencial como o meu não para, assim como o médico e o enfermeiro", pontuou a munícipe.
Já o cidadão Fábio Santos sugere um caminho do meio, onde a liberdade de escolha do trabalhador seja respeitada em favor da renda. "Eu acho interessante que mude para a escala de trabalho 5x2, mas que dê a opção do trabalhador fazer escala 6x1 e ganhe mais dinheiro por isso, que essa medida seja de forma opcional", sugeriu.
Se o parecer de Paulo Azi for aprovado na CCJ, as propostas (incluindo o texto de Erika Hilton e Reginaldo Lopes) serão unificadas e seguirão para uma Comissão Especial, onde o conteúdo ainda poderá sofrer alterações antes de chegar ao plenário. Paralelamente, o Governo Federal pretende encaminhar um projeto próprio para acelerar a tramitação através de um projeto de lei.
O Camaçari Notícias continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa votação que promete redefinir as relações de trabalho no Brasil.
Por: Igor Santiago
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