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Mulheres negras compartilham histórias de superação, liderança e representatividade em edição especial do CNCAST

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Mulheres negras compartilham histórias de superação, liderança e representatividade em edição especial do CNCAST

Edição especial reuniu Pastora Déa Santos, Geisa Borges e Ângela Cheirosa para debater trajetórias, desafios, conquistas e a importância da presença feminina negra na política, na cultura e no empreendedorismo em Camaçari.

Por: Camaçari Notícias

O CNCAST desta terça-feira (7), apresentado pela jornalista Gisa Conceição, promoveu uma edição especial em alusão ao Julho das Pretas, reunindo três mulheres com trajetórias marcadas pela atuação na política, no empreendedorismo e na cultura para discutir protagonismo, representatividade, identidade e os desafios enfrentados pelas mulheres negras na sociedade.

Participaram da conversa a vice-prefeita de Camaçari Pastora Déa Santos, a advogada e empresária Geisa Borges e a professora, escritora, produtora cultural e bailarina Ângela Cheirosa. Durante o episódio, as convidadas compartilharam experiências pessoais e profissionais, refletindo sobre educação, autoestima, oportunidades, políticas públicas e o fortalecimento da presença feminina negra nos espaços de decisão. 

Logo na abertura, Gisa Conceição contextualizou o significado do Julho das Pretas, movimento criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, inspirado no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho desde 1992. A apresentadora destacou que o objetivo do programa era ampliar o debate sobre pertencimento, memória, representatividade e transformação social.

Trajetórias que nasceram em realidades simples
Um dos momentos marcantes do episódio foi o relato da advogada e empresária Geisa Borges, que relembrou a infância em uma família de origem humilde. Ela contou que a avó trabalhou por muitos anos como catadora de materiais recicláveis e que essas experiências ajudaram a construir sua visão sobre trabalho, educação e superação.

Ao falar da sua caminhada, Geisa destacou a importância do conhecimento e do empreendedorismo como instrumentos de transformação social. Hoje, à frente da Câmara da Mulher Empresária de Camaçari, ela desenvolve ações voltadas ao fortalecimento de negócios liderados por mulheres, incentivando capacitação, gestão e autonomia financeira.

A arte como caminho para reconstruir vidas
A produtora cultural Ângela Cheirosa compartilhou momentos marcantes da sua trajetória e explicou como a dança do ventre se tornou um instrumento de reconstrução pessoal após enfrentar uma grande perda familiar.

Ela também abordou os desafios de ocupar um espaço onde, durante muito tempo, predominou um padrão estético distante da realidade de muitas mulheres negras. A partir dessa experiência, idealizou projetos voltados ao fortalecimento da autoestima feminina, como o Bellyblack Brasil e o Flor de Lótus, iniciativas que unem cultura, identidade e valorização da diversidade.

Durante o debate, Ângela defendeu que a arte também é uma ferramenta de inclusão e pertencimento, capaz de fortalecer a identidade e ampliar oportunidades.

Representatividade também se constrói na política
A vice-prefeita Pastora Déa Santos destacou sua trajetória construída a partir do trabalho social, da fé e do compromisso com a comunidade. Natural de Camaçari e criada no bairro do Natal, ela afirmou que ocupar um dos principais cargos do Executivo municipal representa uma responsabilidade que vai além da gestão pública, tornando-se uma referência para meninas e mulheres que desejam participar da política.

Déa ressaltou ainda que sua caminhada demonstra que é possível ocupar espaços de liderança mesmo sem fazer parte de famílias tradicionais da política, reforçando a importância da participação feminina na construção das políticas públicas.

Informação, memória e pertencimento
Outro ponto que ganhou destaque foi a reflexão sobre a importância do Julho das Pretas como instrumento de conscientização.

As convidadas defenderam que a história das mulheres negras ainda precisa ocupar mais espaço nas escolas, nos meios de comunicação e nos ambientes institucionais. Para elas, ampliar o acesso à informação e valorizar referências femininas negras contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento e estimular novas lideranças.

Durante o programa, também foram debatidos temas como racismo estrutural, autoestima, educação, empreendedorismo, cultura, ancestralidade e igualdade de oportunidades.

Um debate que vai além do calendário
Embora o episódio tenha sido motivado pelo Julho das Pretas, as participantes destacaram que a valorização da mulher negra não deve se limitar ao mês de julho. Ao longo da conversa, defenderam a continuidade de ações voltadas ao combate às desigualdades, à ampliação da representatividade e ao fortalecimento da participação feminina em diferentes espaços da sociedade.

Ao encerrar o episódio, ficou a mensagem de que reconhecer histórias, ampliar oportunidades e incentivar novas lideranças são caminhos fundamentais para construir uma sociedade mais inclusiva e fortalecer o protagonismo das mulheres negras em Camaçari.

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