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Camaçari inicia ações para combater tráfico de mulheres e trabalho escravo com foco na prevenção nas escolas

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Camaçari inicia ações para combater tráfico de mulheres e trabalho escravo com foco na prevenção nas escolas

Município é o primeiro da Bahia a aderir ao pacto estadual, que começou com roda de conversa envolvendo estudantes, educadores e representantes dos órgãos de defesa dos direitos humanos.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Everaldo Paixão

O enfrentamento ao tráfico de mulheres e ao trabalho escravo começou a ganhar espaço nas escolas de Camaçari. O Centro Educacional Maria Quitéria, no bairro Ponto Certo, sediou nesta terça-feira (28) a primeira atividade do Pacto pelo Enfrentamento ao Tráfico de Mulheres e Trabalho Escravo, iniciativa da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH), realizada em parceria com a Secretaria da Mulher de Camaçari (Semu).

O município é o primeiro da Bahia a firmar adesão ao pacto, que tem como proposta ampliar ações de prevenção, orientação e conscientização sobre crimes que atingem principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade.

A programação inicial reuniu representantes da SJDH e da Semu, integrantes da gestão escolar, professores, coordenadores e estudantes dos anos finais do ensino fundamental em uma roda de conversa sobre identificação de situações de risco, canais de denúncia e formas de proteção.

Durante o encontro, a diretora de Políticas Públicas para as Mulheres da Semu, Negra Magna, afirmou que a iniciativa abre espaço para levar informações sobre problemas que podem estar mais próximos da comunidade do que se imagina.

“Isso é fruto de uma gestão sensível, que compreende a necessidade desses debates, dessa conscientização tão necessária para os nossos jovens. O trabalho escravo, a violência estão próximos e por isso precisamos trabalhar esses aspectos de perto”, pontuou.

Negra Magna, diretora de Políticas para as Mulheres.

A técnica do Núcleo Pedagógico (NUPED), Ana Clécia Pereira, também participou das discussões e abordou o papel da escola na construção de ações educativas voltadas ao tema.

A diretora do Centro Educacional Maria Quitéria, Telma Almeida, explicou que a informação é uma ferramenta para que crianças e adolescentes saibam reconhecer situações de violência e buscar ajuda.

“É muito importante levar informação às crianças, aos adolescentes para que eles possam saber a qual órgão público competente possa recorrer, caso eles identifiquem situações como essa, até mesmo, dentro da própria família. E no caso da escola é esse local de apoio, de primeiro espaço que possa ser buscado por eles. Geralmente os criminosos cooptam vítimas vulneráveis e nossos jovens precisam estar preparados para identificar situações como estas que estamos tratando”, explicou.

Telma Almeida, diretora do Centro Educacional Maria Quitéria. 

A advogada Mariana Costa, técnica da Coordenação de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Combate ao Trabalho Análogo à Escravidão e Atenção à População Migrante e Refugiado (CEPT) da SJDH, falou sobre a atuação conjunta entre o Estado e o município.

“A parceria com Camaçari tem um peso gigantesco, porque esses temas tratados hoje, aqui, ainda são invisíveis no estado, apesar de o Brasil exportar trabalhadores para outros países, inclusive. O tráfico de pessoas é o terceiro maior crime rentável do mundo, ficando atrás, apenas, dos tráficos de drogas e de armas. Por isso precisamos fazer esse trabalho de prevenção”, afirmou.

Mariana Costa, advogada e técnica do CEPT.

Antes da roda de conversa, os estudantes participaram de uma dinâmica conduzida pela equipe da SJDH, com atividades voltadas à reflexão sobre situações envolvendo exploração, violência e formas de proteção.

A agenda do pacto terá continuidade com novas ações no município. Entre as próximas atividades previstas está um treinamento destinado a profissionais dos setores hoteleiro e gastronômico que atuam na orla de Camaçari. O cronograma completo será divulgado posteriormente pelos órgãos responsáveis.

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