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Violência que não deixa marcas: como reconhecer uma relação abusiva

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Violência que não deixa marcas: como reconhecer uma relação abusiva

Em entrevista ao Camaçari Notícias, a psicóloga Mirian Brito e o advogado Dr. Paulo Brito explicam os sinais emocionais do abuso e os direitos garantidos pela legislação para proteger as mulheres

Por: Camaçari Notícias

Foto: Deivison Silva

A violência contra a mulher nem sempre deixa marcas visíveis no corpo. Antes que qualquer agressão física aconteça, comportamentos como controle excessivo do celular, críticas frequentes, ameaças, isolamento social e restrições financeiras costumam se instalar de forma silenciosa na rotina do casal. 

Identificar esses comportamentos no início é fundamental para evitar que a situação se agrave. De acordo com a psicóloga Mirian Brito, o comportamento abusivo costuma ser mascarado nas fases iniciais do relacionamento. "O controle geralmente começa fantasiado de cuidado ou ciúme. Aos poucos, a mulher vai sendo afastada dos amigos e da família, perdendo sua rede de apoio. Ela entra no chamado ciclo da violência e tem sua autoestima gradativamente destruída, o que torna extremamente difícil reconhecer o abuso e romper a relação sem acolhimento profissional e familiar", explica a especialista. 

Do ponto de vista jurídico, a legislação brasileira oferece respaldo amplo para as vítimas, mesmo quando não há agressão corporal. O advogado Dr. Paulo Brito ressalta que a Lei Maria da Penha enquadra diversos comportamentos abusivos como crime.

"A Lei Maria da Penha reconhece expressamente as violências psicológica, moral e patrimonial. Atitudes como impedir a mulher de trabalhar, reter documentos, controlar o dinheiro ou fazer ameaças constantes configuram crime. É importante reforçar que a mulher não precisa de marcas físicas para solicitar uma medida protetiva ou registrar a denúncia", destaca Dr. Paulo.

O advogado esclarece ainda que registros como prints de conversas, áudios e depoimentos de testemunhas ajudam no processo, mas a ausência dessas provas não impede o atendimento legal nem o pedido de proteção, tendo a palavra da vítima grande relevância diante das autoridades.

Onde buscar ajuda em Camaçari

A mulher não precisa esperar a violência se tornar física para buscar apoio. Reconhecer os primeiros sinais é o passo decisivo para interromper o ciclo de abusos e retomar o controle da própria vida.

Em Camaçari, a rede de proteção conta com serviços especializados para acolhimento e orientação jurídica e psicológica:

CRAM – Centro de Referência de Atendimento à Mulher Yolanda Pires
DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Camaçari
Central de Atendimento à Mulher: Disque 180
Polícia Militar (Emergências): Disque 190

Por: Ludmila Santana

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