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Jovens protagonistas reescrevem a história local

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Jovens protagonistas reescrevem a história local

Nos 268 anos de Camaçari jovens talentos ultrapassam barreiras e levam o nome do município para o país.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Arquivo pessoal/Lavínia Oliveira/Destaque1

Da esquerda para a direita: o cantor Mateuzinho, o jornalista Rodrigo Júnior e a atleta Maria Clara Santos

Camaçari sempre foi vista como a terra da oportunidade. Por muito tempo, famílias inteiras vieram de diferentes regiões em busca de trabalho, qualidade de vida e a chance de recomeçar. Mas se o passado ergueu as bases do município, o presente pertence aos seus filhos.

Para entender para onde a cidade caminha, é preciso olhar para quem faz o seu cotidiano e transforma o esporte, a arte e a cidadania no motor de uma nova história. É a juventude desta terra que segue fazendo a diferença, seja dentro de casa ou levando o nome do município para o Brasil.

Há quem diga que só sabe para onde vai quem não esquece de onde veio. Para Maria Clara Santos, de 18 anos, essa máxima ganha vida a cada treino no Camaçari de Dentro, de onde leva o orgulho de suas raízes para o tatame.

Tricampeã baiana (2024, 2025 e 2026) e vice-campeã brasileira (2025 e 2026), a carateca transforma cada conquista em representatividade para a família, os professores e o município. Para ela, o esporte faz parte de sua essência. "Saber que estou representando a minha cidade por onde passo me dá ainda mais vontade de continuar, porque carrego comigo não só o meu nome, mas também o de Camaçari, da minha família, dos meus professores e de todos que acreditam em mim. Tenho muito orgulho de ser uma atleta daqui e de mostrar que de Camaçari também podem sair grandes histórias", afirma Maria Clara.

Olhando para o futuro, a atleta reforça que a juventude precisa de suporte para continuar avançando. Seu maior sonho é ver o esporte local receber mais apoio e investimentos, garantindo que novos talentos da terra tenham a oportunidade de ir longe. 

Ir longe sem perder de vista a origem também é o motor do jogador Mateus Bahia. Aos 21 anos, o atacante criado do Residencial São Vicente transformou o futebol em passaporte para levar o nome de Camaçari a diferentes cantos do país.

Com passagens por clubes como Brusque (SC), Cerrado EC e ASA (AL), Mateus acumula conquistas marcantes na carreira. Pelo Trindade EC, sagrou-se campeão goiano em 2025 e artilheiro da competição. Já no Guanabara City, fez história na disputa da Copa São Paulo de 2026.

Hoje defendendo o Grêmio Anápolis, o atleta vê no esporte a chave para transformar realidades e inspirar a próxima geração. "Sonho a cada dia que, através do futebol, irei mudar a minha vida, a da minha família e a de quem está ao meu redor. Tenho a certeza de que, através de mim, olharão para muitos outros jovens que existem na nossa cidade", destaca o jogador.

Fora dos gramados e tatames, a garra dessa juventude também ganha força na palavra. Sentindo na pele os desafios do transporte universitário, o estudante de Jornalismo Rodrigo Júnior, de 22 anos, transformou a própria rotina em ferramenta de cidadania após vencer um concurso de pauta em uma agência de notícias local.

Para ele, o processo serviu para destacar nuances da rotina que muitos não conheciam, sem focar em críticas, mas na compreensão do cenário. "Me exigiu muita pesquisa, apuração e ouvir todas as partes envolvidas. Mesmo lendo leis e contratos, uma coisa foi central: a história. O que mais me marcou foi essa possibilidade de acessar as rotinas das pessoas e revelar detalhes que passavam despercebidos, pois cada um tinha uma particularidade", destaca Rodrigo. E se hoje você perguntar a qualquer universitário se lembra desse momento, a resposta certamente virá acompanhada do impacto que a reportagem gerou.

Se existe algo que todos compartilham com afeto é o som, o toque e o batuque. Independente do ritmo, a música se faz presente no cotidiano e ganha voz no talento do cantor Mateuzinho, que transforma a paixão pelos palcos em conexão direta com o público.

O artista vê no apoio da comunidade o combustível para alçar voos ainda maiores. "Me sinto muito feliz em ver que a galera do meu bairro e da minha cidade me abraça onde quer que eu vá. Meus fãs são quem me motivam a não desistir. Receber o carinho de pessoas de outras cidades é de encher os olhos de lágrimas toda vez que passo por cada lugar", desabafa o cantor, que se prepara para o lançamento do seu segundo TBT no dia 17 de outubro. Com fé e pé no chão, Mateuzinho mira longe: quer ver o som de Camaçari reconhecido em todo o país.

Além de sentir as vibrações de uma música ou a determinação de quem vive do esporte, existe a escrita que nos faz sentir a força das nossas próprias histórias e o valor da nossa identidade. A literatura de Clara Pinto traz essa camada profunda de afeto, memória e representatividade construída nas ruas de Camaçari. 

Aos 27 anos, a comunicadora e poeta que cresceu vivenciando as festas populares e as manifestações culturais do município, lança o livro de poesias Declarando.

A obra nasce como um ato de representatividade para inspirar meninas negras e de escola pública a se enxergarem na arte. "Geralmente a imagem de uma mulher sensível está ligada à imagem de uma mulher branca. Com o Declarando, quis dizer que a sensibilidade que habita em nós é sagrada. Minha escrita reflete a experiência de ter sido criada aqui, rodeada pela cultura", destaca Clara.

Para a escritora, Camaçari vai muito além do título de polo industrial: é uma cidade onde a arte pulsa em cada bairro, na capoeira, no samba de roda e no teatro. Olhando para o futuro, Clara sonha em ver as ruas e praças tomadas por talentos locais devidamente valorizados, mostrando que a juventude da cidade é um celeiro inesgotável de sonhos.

Nascemos na mesma cidade, mas crescemos em diferentes bairros e ruas. Olhamos para a cidade de um jeito diferente dos nossos pais ou de quem chegou há um século. A juventude de Camaçari está ocupando todos os espaços, deixando claro que vive o presente enquanto constrói o futuro. Aos 268 anos, o município descobre que a sua maior riqueza não está apenas no solo ou nas indústrias, mas na força e nos sonhos de quem carrega a sua identidade.

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