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Dom Petrini fala de "renovação" ao associar Páscoa à crise política

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Dom Petrini fala de "renovação" ao associar Páscoa à crise política

Por: Geovânia Cruz

Dom João Carlos Petrini, bispo da Diocese de Camaçari

Estamos na Páscoa, palavra que vem do hebraico pesah, que significa ‘passagem’. Porém, em virtude dos vários escândalos que têm afetado, diretamente, o dia a dia do brasileiro, para muitos, não há razões para comemorações. Neste sentido, Dom João Carlos Petrini, bispo da Diocese de Camaçari, traça um paralelo entre a Páscoa e a atual situação do país. “Devemos celebrar a Páscoa, porque temos em Jesus, o verdadeiro símbolo pascoal, a esperança de renovação”.

Na terça-feira (22), o bispo Petrini recebeu na sede do recém-inaugurado Centro Diocesano João Paulo II, a reportagem do Camaçari Notícias, para entrevista especial sobre Páscoa, quando foi levado em consideração, principalmente, os últimos acontecimentos que marcaram a sociedade brasileira nesses últimos dias.

“A melhor maneira de celebrarmos a Páscoa neste momento tão crítico, é recordarmos a iniciativa de Deus, de entrar em nossa realidade e colocar um ponto de novidade”, comentou o religioso quando questionado sobre a forma como o cristão deve celebrar a Páscoa neste período de conflitos, e acrescentou: “Ou nós permanecemos dentro dessa realidade com nossa pequena força, onde cada um pensa ‘Quem sou eu para fazer alguma coisa diante de tanta maldade?’, ou então, nos  ligamos a Jesus, a luz divina que ilumina a inteligência, e começamos a pensar melhor sobre como melhorar essa situação”.

O cristão que vive o verdadeiro sentido da Páscoa deve atentar para os exemplos de Jesus. Com relação a isso, o bispo Petrini falou sobre “respeito às autoridades instituídas” que Jesus demonstrou em sua época. “Ele não foi passivo, mas, também não foi vingativo. Suas atitudes tinham o objetivo de promover uma reflexão em seus interlocutores. Diante de Pôncio Pilatos, Ele falou da verdade, e para o soldado que bateu em sua face questionou porque fez aquilo, visto que Ele não tinha falado nada errado”, destacou Dom Petrini, chamando a atenção para que os cristãos vivam os exemplos deixados por Jesus, dando a “César o que é de César”, completou.

A palavra “corrupção” tem sido exaustivamente pronunciada nos últimos dias. Políticos, empresários, funcionários públicos, e todos aqueles que se envolvem em barganhas e negociações para tirar proveitos pessoais, em detrimento de outros, são corruptos. “Sendo assim, nós corremos o risco de apontar as pessoas aos quais consideramos corruptas, mas, em nosso cotidiano, não atentamos para as pequenas coisas que praticamos, que também podem nos classificar de corruptos”, dizendo isso, o bispo citou: “A criança que chega com um lápis diferente em casa, o cobrador que fica com os centavos, passar na frente das pessoas em uma fila, são pequenas ações que mostram que, se tivermos a oportunidade de fazermos coisas maiores, faremos. Quem rouba os centavos, rouba os milhões”, pontuou.

Durante a entrevista, perguntamos a Dom Petrini, sobre como o cristão deve pensar o significado da Páscoa dentro do contexto da sociedade atual. Com relação a isto, ele respondeu: “Eu quero destacar o momento do encontro de Maria Madalena com Jesus. Para ela, Jesus foi o único homem que a respeitou. Algum tempo depois, ela estava chorando sua morte. A morte daquela pessoa que a perdoou. Dias se passaram e aquela que chorava pela morte, se alegrava pela ressurreição do seu Senhor. Nós estamos enfrentando uma situação que é de chorar, mas, podemos confiar nesta potência divina que vence o mal e a morte e que pode ser para nós um motivo de esperança. Eu tenho essa esperança”.

Nesse momento de muita tensão é quando as pessoas se tornam cada vez mais nervosas, e as atitudes de algumas apontam descontrole emocional. Palavras ofensivas são pronunciadas, sempre acompanhadas do nome de determinada autoridade. Nessa onda de agressões verbais, muitos cristãos são envolvidos. No entanto, é possível vencer o mal com o bem: "Utilize-se de argumentos à luz da Bíblia, ao invés de usar de palavras ofensivas”, aconselhou Dom Petrini citando passagens do Evangelho Segundo São Mateus: “No capítulo 5 Jesus aconselha os discípulos que, se quer, chamem alguém de louco. Mais pra frente, no Capítulo 18, Ele ensina a amar os inimigos, bendizer os maldizentes, fazer o bem e perdoar os perseguidores. Agindo dessa forma, não tomamos uma atitude passiva, que aceitamos tudo, mas, levamos o outro a refletir em suas próprias ações”, completou.

Considerando o contexto atual, há quem diga que o país não tem mais jeito, que é disso para a pior, que não há solução. “Dizer isso é um grande erro. Sempre é possível um novo começo”, opinou o religioso que orientou: “Às vezes a pessoa se sente fraca para reagir, mas, se eu conto só com a minha capacidade, realmente, não vou conseguir. O melhor a fazer é pedir a ajuda de Deus, então, posso contar com uma força maior do que eu, assim, tudo se torna possível. Sempre podemos tomar uma decisão muito melhor do que as anteriores”.

No vídeo abaixo Dom Petrini deixa sua mensagem de esperança para toda Camaçari:

 

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