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Sem condições mínimas de trabalho veterinário pede exoneração do CCZ de Camaçari

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Sem condições mínimas de trabalho veterinário pede exoneração do CCZ de Camaçari

Por: Geovânia Cruz

O médico veterinário Gilmar Pereira (CRMV/BA 4264), que até junho deste ano trabalhava como coordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Camaçari, pediu exoneração de seu cargo e, através de uma “Carta Aberta” destinada aos colegas de trabalho, explicou suas razões: “A profunda falta de conhecimento da gestão sobre nosso trabalho e nossas atribuições, tem gerado uma desvalorização histórica, que ‘grita’ aos olhos através de nossa estrutura física e condições precárias de trabalho”.

De acordo com o veterinário, a última reforma feita no prédio do CCZ aconteceu em 2008. Desde então, pequenos reparos eram realizados conforme necessidades iam surgindo, porém, segundo contou: “Há alguns anos, mesmo as pequenas intervenções de melhorias, deixaram de acontecer”.

O documento produzido pelo ex-coordenador, e compartilhado através de redes sociais, serve também de alerta às autoridades quanto ao problema. “Mesmo não estando mais lá, espero que os profissionais que continuam trabalhando, tenham uma atenção melhor da gestão, principalmente na estrutura física”, comentou Gilmar, destacando também que, antes mesmo de ser exonerado, já havia comentado com alguns colegas sobre suas pretensões a respeito da carta.

Durante entrevista à reportagem do Camaçari Notícias, Gilmar não citou somente as condições precárias da sede do CCZ como o único problema que este setor da saúde do município enfrenta. Segundo denuncia, a demanda do município está muito além do que o órgão pode oferecer de serviço, com cerca de 210 agentes em operação, e explicouu: “São 175 agentes no combate ao Aedes aegypti, com uma estimativa de 220 mil imóveis e uma distribuição de 1 agente a cada 800, o número correto seria de 275 agentes. Necessitando mais 100 agentes para serem distribuídos nos programas de controle das outras zoonoses como Raiva, Leishmaniose, Esquistossomose, Leptospirose e Doença de Chagas, Bloqueio Químico e Esporotricose ”.

Chamando de “Problema histórico do Brasil”, Gilmar acredita que a saúde do país está seguindo um modelo focado no atendimento de emergência, na atenção ao doente, e não, simplesmente na prevenção. Complementando seu argumento, ele pontua: “Prevenir as doenças é muito mais barato que você remediar um doente”.

Em sua carta, Gilmar também menciona as inúmeras solicitações feitas à Prefeitura Municipal por meio de diversos canais, buscando as melhorias necessárias, porém, como mesmo destaca: “Solenemente ignorados”. Ele segue lamentando o fato de, atualmente, a luta dos profissionais do CCZ ser em busca das condições mínimas de trabalho, e cita que estão há mais de um ano com os telefones bloqueados e há seis meses sem acesso a internet.

Quando questionado sobre uma estimativa de como seria os trabalhos dos profissionais do CCZ caso estivessem em condições ideais para desenvolverem suas atividades, Gilmar não hesitou em responder: “Não sei informar, porque nunca tivemos uma situação ótima para trabalhar, então, não conseguiria fazer um comparativo de como está agora, em relação ao que era antes”.

NOTA DO AUTOR

Com a missão desenvolver ações que viabilizem a prevenção, proteção e promoção da saúde no município de Camaçari, os trabalhos do CCZ não podem parar. A vigilância e o controle de animais, principalmente, aqueles indesejáveis como o mosquito Aedes Aegypti, é de suma importância para o bem estar da sociedade. No entanto, se Camaçari continuar enveredando pelo lado do “remediar”, em detrimento do “prevenir”, teremos ainda mais problemas na saúde do município, em um futuro próximo. A questão é: Onde vamos parar, com uma saúde pública ainda mais doente, do que já está?

 

 

 

 

 

 

 

 

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