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Gêmeos que fugiram de casa e vieram para Salvador devem reencontrar a família nesta quarta

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Gêmeos que fugiram de casa e vieram para Salvador devem reencontrar a família nesta quarta

Meninos saíram de bicicleta, pegaram carona e foram assaltados no 1º dia em Salvador.

Por: Sites da Web

(Foto: Reprodução)

Foi cheia de aventuras, imprevistos e peripécias a fuga dos gêmeos João Pedro e João Henrique Lima da Silva, 14 anos, que queriam conhecer o mar e decidiram sair de Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, onde moram, rumo à capital baiana. As informações são do Jornal Correio*

Três dias depois de serem localizados em Salvador, na última segunda-feira (28), eles ainda aguardam em um Conselho Tutelar a chegada da família, que promete vir nesta quinta-feira (1º) buscar a dupla.

O irmão mais velho, Ivanildo da Silva, disse que os familiares, de origem humilde, estão dando um jeito de vir a Salvador, mas não explicou como farão. Apesar da preocupação que os meninos deram, o que os parentes mais esperam é tê-los de volta em casa. “Estamos dando jeito de ir buscá-los o mais rápido que der. [Agora todos] estão bem melhor”, afirmou o irmão. 

Segundo o advogado especialista em Direito da Família Mateus Nogueira, os pais de João Pedro e João Henrique podem buscar apoio do Estado para facilitar o encontro com os adolescentes, inclusive, pedindo ajuda para a passagem de Vitória da Conquista para Salvador, cidades distantes cerca de 510 quilômetros.

A afirmação tem base em diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - que estabelece a reintegração - e na Constituição Federal, sendo previsto o direito do convívio em ambiente familiar.

Já o advogado Ronaldo Pereira ressalta que quem contribuiu, de qualquer modo, para o transporte dos irmãos poderá ser penalizado com multa de três a vinte salários de referência, com exceção de quando estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável ou viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. No caso dos gêmeos, eles conseguiram carona com um caminhoneiro para virem de Feira de Santana para a capital.

Banho de mar e assalto
Os adolescentes estavam desaparecidos desde sábado (26). Um dia antes, os meninos foram para a Escola Municipal Professora Edivanda Maria Teixeira, onde estudam, e não deram nenhum indício do que fariam. Familiares relataram que João Pedro e João Henrique, moradores do Copacabana 1, no bairro de Jatobá, foram para casa da tia por volta das 8h do sábado, a pedido da mãe, mas não chegaram ao local. 

A conselheira tutelar responsável pelo caso, Evanice da Hora, conta que os meninos disseram sair da cidade com duas bicicletas e venderam uma no caminho para conseguir dinheiro. Eles chegaram a revezar o veículo, mas encontraram um caminhoneiro em Feira de Santana, onde conseguiram carona. 

Ao chegar em Salvador na segunda-feira (28), os gêmeos realizaram o sonho e tomaram banho de mar na praia da Ribeira, mas logo depois foram assaltados. O dinheiro da venda de uma das bicicletas e a outra bicicleta que lhes restava foram levados, afirmou a Polícia Civil. Foi então que os adolescentes buscaram a 3ª Delegacia (Bonfim) para denunciar o roubo dos pertences e tiveram contato com o Conselho Tutelar. 

Para Evanice Daora, os meninos não tinham ideia dos perigos e queriam voltar para casa.

“Eles estavam assustados, porque o primeiro contato com Salvador foi com assalto logo de cara. Estavam cansados, com fome. São meninos que a gente sabe que não têm malícia, moravam em povoado, adolescentes que moram fora da cidade”, disse a conselheira.

Sobre o assalto, a Polícia Civil informou que policiais da Delegacia do Bonfim estão coletando imagens de câmeras de segurança da região para ajudar na identificação dos autores. 

Tranquilos
Amigos e familiares mencionaram João Pedro e João Henrique como adolescentes bons, que iam para a escola com frequência e ajudavam os pais. Os gêmeos têm mais quatro irmãos, destes, o mais velho, Ivanildo da Silva, conta que os adolescentes nunca mencionaram planos de sair da cidade. Ele ainda afirma que Henrique já foi para uma praia na Bahia, mas não soube dizer onde. Os adolescentes não conheciam Salvador. 

Embora para os gêmeos o final de semana se tratou de uma busca para conhecer o mar, na cidade de onde saíram, parentes entraram em pânico sem saber o que estava acontecendo. “A família estava desesperada. […] Faz dias que eles estão distantes”, lamenta o irmão mais velho. 

Uma vizinha que pediu anonimato conta que os meninos eram coroinhas na paróquia da comunidade. “Eles ajudavam muito o pai e a mãe com reciclagem e jardinagem. Não sei o porquê da atitude. Venderam as bicicletas, que foi uma luta para conseguir. Aí gastam dinheiro da avó [na viagem] e a mãe e o pai ficam morrendo de preocupação”, critica. 

Imaturidade propicia experiências de alto risco, diz psicóloga

A psicóloga Juliana Lemos explica que comportamentos como o que tiveram os gêmeos, que viajaram sem avisar, podem ser comuns porque o desenvolvimento da capacidade de pensar em termos abstratos e raciocínio científico acontece na fase da adolescência, mas, mesmo assim, os pensamentos e comportamentos imaturos persistem ao longo do desenvolvimento até a fase adulta, o que propicia busca de experiências perigosas e de alto risco.

“Os motivos podem ser diversos, desde fuga de um ambiente hostil, abusivo ou a busca de liberdade, autonomia. [Assim como] fatores socioeconômicos, culturais, amigos, influência de redes sociais contribuem para tomada de decisão”, analisa a profissional.

Com relação à responsabilização dos pais, a quem cabe o dever de guarda e vigília dos menores, o advogado Ronaldo Pereira, especialista em Direito da Família, ressalta que eles também podem responder.

“Cabe aos pais ou responsável o dever de guarda e vigília dos filhos. Sendo comprovado falha, negligência, imprudência ou imperícia dos pais, eles podem ser responsabilizados, podendo ocorrer de um encaminhamento a cursos ou programas de orientação, advertência, ou até mesmo suspensão ou destituição do pátrio poder familiar”, afirma.

Contudo, a partir dos relatos dessa história, especialistas analisam que não houve negligência dos pais.

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