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<b>Salvador: Comércio em crise demite 15 mil só este ano</b>

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Salvador: Comércio em crise demite 15 mil só este ano

Por: Sites da Web

Na loja Carolina Modas, na Baixa dos Sapateiros, dos quatro funcionários que havia até meados do ano, restou apenas um. E para o período das festas de final do ano, quando normalmente se faz contratações temporárias , as perspectivas não são animadoras. “Falta receita”, diz o proprietário, Ruy Barbosa, que também é presidente da Associação de Lojistas da Baixa dos Sapateiros e Adjacências (Albasa).

Sem contratar e com demissões que se somam a cada mês, não há condições de absorver nova mão-de-obra nos próximos meses, mesmo que seja temporária, adverte o presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Mota. Segundo pesquisas feitas pela própria entidade, em agosto, a queda nas vendas no comércio varejista em Salvador alcançaram 11%, o pior resultado medido até hoje. De janeiro a julho a retração atingiu 7.5%.

“O comércio do Dia dos pais foi um fracasso de vendas”, disse Mota. Já conforme a pesquisa divulgada ontem pelo IBGE, o comércio varejista do País registrou queda de 1,0% no volume de vendas em julho, em comparação com o mês anterior, sendo o sexto mês consecutivo com resultado negativo.  Quando comparadas com julho do ano passado, as vendas no varejo apresentaram queda de 3,5 % acumulando variações de -2,4 % no ano e de -1,0 % nos últimos 12 meses.

Para o presidente do Sindilojas na Bahia, o cenário da economia local é desanimador para as vendas de final do ano. “Estamos com mais de 12 mil postos de trabalho fechados de janeiro a junho deste ano, e se mantiver essa mesma tendência, que infelizmente vem se apresentando nos meses seguintes, poderemos chegar ao final do ano com mais de 25 mil desempregados no setor”, disse.  No ano passado, o comércio varejista de Salvador fez 2.500 contratações temporárias no período do Natal e Ano Novo. “Este ano, não há chances para isso”, completou Mota.

Desemprego
A queda sucessiva nas vendas pelo sexto mês consecutivo, conforme a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aumentou os estragos no mercado de trabalho dos comerciários, que já demitiu em Salvador, 15.200 funcionários, entre janeiro e agosto deste ano. A esse contingente não se incluem os funcionários que têm menos de um ano de carteira assinada, cujas homologações são feitas diretamente nas lojas contratantes.

O presidente do Sindicato dos Comerciários na Bahia, Jaelson Loula Dourado, prefere creditar a atual crise econômica aos efeitos de uma crise mundial, mas reconhece que em Salvador, que concentra 12 mil dos 45 mil estabelecimentos varejistas registrados na Bahia, a situação é considerada crítica. Isso porque enquanto em todo o ano passado foram 28 mil as demissões, incluindo o setor de supermercados, de janeiro a agosto, sem contar o setor supermercadista, já são 15.200 demitidos com mais de um ano de carteira de trabalho assinada.

Dourado explicou que os esforços têm sido para manter o atual quadro de funcionários, evitando novas demissões, e por isso mesmo, pensar em contratação temporária agora é prematuro.

“No ano passado o setor contratou apenas 2.500 funcionários no período de fim de ano e este ano torcemos para que pelo menos repita os mesmos números de 2014”, disse.

Lojas estão com estoques cheios
Sem vendas, os lojistas não estão repondo estoques com vistas para o período das festas de fim de ano e por isso mesmo, as tradicionais viagens que faziam para grandes centros de comercialização, como São Paulo, Caruaru (PE) e Fortaleza, deixaram de ser feitas. Essas compras normalmente eram feitas a partir de agosto.

Noventa por cento do comércio varejista de rua em Salvador é constituído de pequenas e micro empresas, e um percentual quase equivalente é de empresa familiar. Segundo Paulo Mota, do Sindilojas, esse comércio costuma empregar, em média, dois funcionários fora do âmbito familiar. “Eles (os lojistas) têm um custo mais baixo com mão de obra e obrigações trabalhistas, podendo vender produtos mais em conta que as grandes redes”. Mesmo com a queda nas vendas, o setor ainda tem fôlego. “Mas esse fôlego está acabando”, diz.

O presidente da Associação dos Lojistas da Baixa dos Sapateiros, Ruy Barbosa, explica que o comércio de rua mais antigo de Salvador está estagnado.  A Baixa dos Sapateiros tem um total de 350 lojas, sem incluir as dos dois shoppings instalados na região. “A maioria é de empresas que empregam a própria família. Quando uma loja fecha, desemprega, portanto, não só o patrão, mas uma família inteira”, disse.

O próprio presidente da Albasa, que junto com a família possui dois estabelecimentos na Baixa dos Sapateiros, chegou a contratar quatro funcionários temporários no ano passado, no período dos festejos natalinos e do final do ano, mas a exemplo de outros estabelecimentos, este ano as contratações, se houver, deverão ser mínimas. Este ano a loja mantém apenas  um único funcionário e não sabe se fará contratações. Já sobre as compras para o final de ano ele diz que todos estão esperando dias melhores. “Ninguém faz estoques. Todos estão sem receitas”, concluiu.

IBGE mostra queda geral nas vendas
A Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, revela que sete das oito atividades pesquisadas no varejo tiveram queda no mês de julho. As maiores quedas foram no setor de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-5,5%); Móveis e eletrodomésticos (-1,7%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,3%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,1%).  A queda também foi observada nas vendas dos Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%), Tecidos,  vestuários e calçados (-1,0%), Combustíveis e lubrificantes (-0,4%) .

Móveis e eletrodomésticos - exerceu o maior impacto negativo na formação da taxa global do varejo, com decréscimo de 12,8% no volume de vendas, em relação a julho de 2014, acumulando, nos primeiros sete meses do ano, taxa de -11,5% e, nos últimos 12 meses, de -7,3%.

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios – Teve queda de -2,1% em julho, sobre igual mês do ano anterior. Em termos de resultados acumulados, as taxas de variação foram: -1,8%, para o acumulado nos sete primeiros meses do ano, e de -1,4%, para os últimos 12 meses.

Tecidos, vestuário e calçados - A queda foi de -8,1%, com relação a igual mês do ano . Nos resultados acumulados, os resultados foram de -5,5%, para os sete primeiros meses do ano, e de -3,3%, para os últimos 12 meses. Combustíveis e lubrificantes – Queda de -3,6% no volume de vendas, em relação a julho de 2014. Em termos de desempenho acumulado, as taxas de variação ficaram em -3,3% e -1,2%, para os sete primeiros meses do ano, e para os últimos 12 meses, respectivamente.

Escritórios e informática e comunicação – A queda nas vendas atingiu -5,2%  em julho de 2015 comparada com julho de 2014. Livros, jornais, revistas e papelaria – A taxa  de -9,2% no volume de vendas sobre julho de 2014. Nos acumulados dos sete meses do ano e dos últimos 12 meses as taxas foram, respectivamente, -8,4% e -8,8%. Artigos farmacêuticos, médicos e perfumaria  - Queda de -1,6% no volume das vendas em julho  na comparação de julho de 2014.

 

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