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Economia
Governo decidiu que o Tesouro Nacional vai garantir um empréstimo de R$ 20 bilhões para a estatal para “evitar o pior”.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Camaçari Notícias
Os recorrentes prejuízos dos Correios têm se transformado em uma ameaça às contas públicas, levando o governo federal a decidir que o Tesouro Nacional garantirá um empréstimo de R$ 20 bilhões à estatal. Segundo apuração do CNN Money, a equipe econômica busca evitar que os déficits bilionários agravem ainda mais a situação fiscal do país.
Embora os Correios sejam uma estatal autossustentável, cujos resultados não impactam diretamente o Orçamento, o cenário mudou com o novo arcabouço fiscal. Antes, o governo poderia realizar operações de capitalização em empresas públicas sem comprometer o limite de despesas, como ocorreu na capitalização da Emgeprom (Empresa Gerencial de Projetos Navais), entre 2017 e 2019. Hoje, qualquer aporte financeiro da União aos Correios entraria no teto de gastos, exigindo cortes em outras despesas.
Além disso, especialistas alertam para possíveis questionamentos técnicos e legais sobre a dependência da estatal do Tesouro. “Se os Correios se tornassem uma empresa dependente, toda sua despesa passaria a integrar o Orçamento da União e concorreria pelo espaço fiscal com outras despesas, limitadas pelo arcabouço. Seria um grande problema”, afirmou Murilo Viana, especialista em contas públicas, em entrevista à CNN Money.
Sem a possibilidade de capitalização, a empresa precisa recorrer a empréstimos para reforçar o caixa. No entanto, sua situação financeira representa risco aos bancos, que dificilmente ofereceriam crédito em condições acessíveis. A garantia do Tesouro para ressarcir instituições financeiras em caso de inadimplência é, portanto, essencial para viabilizar a operação. Economistas alertam, entretanto, para o risco fiscal que essa medida transfere à União.
Plano de reestruturação
Em meio à crise, os Correios anunciaram um programa de reestruturação com três pilares: corte de despesas, diversificação de receitas e recuperação da saúde financeira, que inclui o empréstimo junto a bancos, segundo Emmanoel Rondon.
No primeiro eixo, a estatal realizará um novo programa de demissões voluntárias, concentrando-se em setores com desempenho insatisfatório, e renegociará contratos com fornecedores. No segundo, continuará vendendo imóveis ociosos e estudando novos modelos de negócios, como o “Mais Correios”, lançado recentemente para atuar no segmento de marketplace.
O terceiro eixo é focado na recuperação financeira da empresa. No primeiro semestre deste ano, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,3 bilhões, mais que triplicando o resultado negativo de R$ 1,3 bilhão registrado no mesmo período de 2024.
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