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Falta de planejamento ao longo do ano é principal causa de retenções na malha fina do Imposto de Renda

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Falta de planejamento ao longo do ano é principal causa de retenções na malha fina do Imposto de Renda

Especialista alerta que desorganização financeira e falta de contabilidade preventiva ao longo do ano aumentam o risco de inconsistências na declaração

Por: Camaçari Notícias

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Mais de um milhão de declarações do Imposto de Renda são retidas anualmente pela Receita Federal em todo o país. Apesar de muitas pessoas associarem a malha fina a tentativas de fraude, a maior parte dos casos está relacionada a inconsistências de informações, erros de preenchimento e ausência de comprovação documental.

Especialistas alertam que esses problemas, na maioria das vezes, não surgem no momento do envio da declaração, mas são resultado de decisões financeiras tomadas ao longo do ano sem organização e acompanhamento contábil adequado.

Segundo a contadora Patrícia Bastazini, sócia da Bastazini Contabilidade, um erro recorrente é tratar o Imposto de Renda como um evento isolado. “A declaração é apenas a fotografia final. O que aparece ali foi construído ao longo de doze meses de decisões financeiras, muitas vezes desorganizadas”, explica.

Entre os principais fatores que levam às inconsistências estão a mistura entre contas pessoais e empresariais, retiradas financeiras sem definição clara de pró-labore ou distribuição de lucros, além da falta de controle sobre rendimentos, despesas dedutíveis e evolução patrimonial. Essas falhas geram divergências entre os dados declarados pelo contribuinte e as informações repassadas por bancos, empresas e outras fontes pagadoras à Receita Federal.

Outro ponto de atenção é o crescimento de empresas sem estrutura financeira adequada. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que grande parte dos negócios no Brasil não mantém controle financeiro mensal organizado, o que dificulta a correta apuração de lucros, fluxo de caixa e obrigações tributárias. “Quando o empresário olha apenas para o faturamento e ignora como o dinheiro circula, o risco fiscal aumenta consideravelmente”, destaca Patrícia.

Para a especialista, o mês de janeiro deveria ser encarado como estratégico para definir regras financeiras claras, como a separação entre pessoa física e jurídica, política de retiradas, organização documental e acompanhamento contábil contínuo. “A contabilidade preventiva reduz o risco de autuações, evita o pagamento indevido de impostos e traz previsibilidade financeira. Quando esse cuidado não existe, o Imposto de Renda apenas escancara o problema”, conclui.

 

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